Death Stranding 2

Death Stranding 2 é aquele tipo de jogo que começa te deixando completamente perdido, mas quanto mais você aceita entrar na loucura do Kojima, mais o jogo te prende. Mesmo sem ter jogado o primeiro, a experiência consegue funcionar muito bem por causa da ambientação absurda, da gameplay extremamente única e principalmente da carga emocional da história. O jogo mistura exploração, ação, stealth, gerenciamento e até cooperação online invisível de uma forma que simplesmente não existe em nenhum outro game da indústria. Além disso, o visual é facilmente um dos mais impressionantes dessa geração, com cenários absurdos, trilha sonora impecável e uma direção cinematográfica nível Hollywood. Death Stranding 2 não é um jogo para todo mundo, mas para quem entra na proposta, pode acabar sendo uma das experiências mais marcantes da geração.

Eu vou ser bem sincero: as primeiras horas de Death Stranding 2 foram completamente confusas pra mim. Eu não joguei o primeiro jogo, então tudo aquilo de praia, bebê em frasco, máscara, simbolismo e os diálogos filosóficos do Kojima me deixaram totalmente perdido no começo. Em vários momentos eu simplesmente parei e pensei: “Que desgraça é essa que eu tô jogando?”. Mas aí aconteceu uma parada curiosa. Em vez de tentar entender absolutamente tudo, eu comecei só a viver o jogo. Parei de me forçar a procurar lógica em cada detalhe e comecei simplesmente a entrar naquela vibe estranha do universo de Death Stranding. E foi exatamente aí que o jogo me ganhou de verdade. Death Stranding 2 é uma experiência extremamente diferente de qualquer coisa que existe hoje na indústria. Sim, você ainda faz entregas. Sim, você ainda anda bastante. Mas resumir o jogo a “simulador de entregador” é injusto demais. O gameplay vai muito além disso. O jogo mistura exploração, plataforma, gerenciamento, stealth, ação, sobrevivência e construção coletiva de uma forma muito única. Uma das coisas que mais me surpreenderam foi o quanto a exploração é dinâmica. O terreno realmente importa. Você sente o peso da carga, o clima muda completamente a rota que você tinha planejado e o ambiente te obriga o tempo inteiro a improvisar. Tem momentos em que rios transbordam, tempestades de neve começam do nada e você literalmente precisa criar novas estratégias para continuar avançando. Isso deixa cada entrega muito mais intensa e menos automática do que parece vendo de fora. E sinceramente? Eu achava que esse loop de gameplay seria cansativo. Mas acabou sendo exatamente o contrário. Muitas vezes eu estava só caminhando pelo mapa ouvindo música enquanto contemplava o cenário, e aquilo virava quase uma experiência meditativa. O jogo tem uma vibe muito própria. Você simplesmente entra naquele mundo estranho e começa a curtir o ritmo dele. Outro ponto que me surpreendeu muito foi o combate. Pelo que eu sempre ouvi falar do primeiro jogo, muita gente reclamava que tinha pouca ação. Em Death Stranding 2 isso mudou bastante. O jogo tem muito mais combate, muito mais liberdade e muito mais caos. Dá pra jogar no stealth, mas eu sinceramente fui no modo “tiro, porrada e bomba”. Explodir veículos, equipar armas nos carros e sair causando destruição ficou divertido demais. As boss fights são extremamente cinematográficas e algumas delas realmente passam aquela sensação de filme blockbuster. Eu ainda acho que a jogabilidade durante certos combates pode ser um pouco travada às vezes, mas nada que estrague a experiência. Agora, se tem uma coisa que realmente me pegou em Death Stranding 2, foi a ambientação e a carga emocional da narrativa. Mesmo sem entender tudo perfeitamente, o jogo consegue te fazer criar conexão com os personagens. Você se apega ao Sam, ao bebê e a vários momentos específicos da história muito mais pela emoção do que pela lógica. E isso funciona absurdamente bem. Visualmente, é simplesmente um absurdo técnico. Sem exagero: Death Stranding 2 é provavelmente o jogo mais bonito que eu joguei nessa geração. Os cenários parecem reais, as expressões faciais são assustadoramente naturais e as cutscenes têm qualidade de filme de Hollywood. Tem momentos em que parece literalmente impossível aquilo estar rodando em tempo real. A trilha sonora também merece muito destaque. O jeito que as músicas entram durante a exploração transforma completamente certas cenas. Tem momentos em que você para de jogar por alguns segundos só para apreciar o ambiente enquanto a música toca. É uma experiência muito difícil de explicar, porque o jogo trabalha muito em cima da sensação e da atmosfera. Outro detalhe genial é o sistema online cooperativo “invisível”. Você não joga diretamente com outras pessoas, mas vê estruturas, construções e equipamentos deixados por outros jogadores no mapa. Isso cria uma sensação muito interessante de colaboração coletiva. Em vários momentos, estruturas feitas por outras pessoas literalmente salvaram minha gameplay. Claro, o jogo ainda tem alguns problemas. Quem não jogou o primeiro provavelmente vai ficar bem perdido em vários momentos da história. Algumas cenas também são longas demais, e o combate poderia ser um pouco mais fluido em certas situações. Além disso, mesmo com mais ação, eu ainda acho que Death Stranding 2 continua sendo um jogo de nicho. Não é uma experiência feita para agradar qualquer jogador. Mas ao mesmo tempo, talvez seja justamente isso que torna o jogo tão especial. Death Stranding 2 tem identidade própria. Não parece um produto genérico feito para agradar todo mundo. É uma experiência diferente, estranha, emocional, cinematográfica e extremamente autoral. Mesmo sem ter jogado o primeiro, Death Stranding 2 acabou se tornando uma das experiências mais marcantes que eu tive nessa geração. É um jogo que exige paciência, mente aberta e disposição para entrar na loucura do Kojima. Mas se você entrar na proposta, a recompensa pode ser absurda.