Blood of Dawnwalker é o The Witcher baixa renda dessa geração

Um RPG de vampiros cheio de boas ideias, com mecânicas criativas de dia e noite, diferentes possibilidades de builds e missões que podem mudar o rumo da sua jornada. Mas será que isso é suficiente para compensar um combate problemático, bugs que podem até impedir o progresso e escolhas que nem sempre deixam sua marca no mundo?

Blood of Dawnwalker é o The Witcher baixa renda dessa geração
Nota 7.5
Escrita por Luts 17/10/2026, 17:13 Jogado em: PlayStation 5

Eu fiz todos os finais do jogo e conquistei 80% das conquistas para escrever esta análise. Por isso, vou comentar sobre as mecânicas de gameplay, a estrutura do mundo, as builds, a história SEM DAR SPOILERS, as coisas que não fazem sentido dentro do universo da obra, os bugs, o futuro promissor do jogo e tudo o que você pode esperar antes de comprá-lo.

História

Aqui acompanhamos a história de Coen, que vive em um vilarejo dominado por um grupo de vampiros que tomou o poder. As primeiras horas de gameplay são dedicadas a conhecer a vila e entender um pouco da opinião dos moradores em relação aos vampiros, ou Vrakhiri. Aqui, entendemos o lugar que ocupamos na cadeia alimentar, aprendemos um pouco sobre o sistema de tempo do jogo, em que cada atividade consome um bloco de tempo, e conhecemos o sistema de combate precário do jogo.

Ao sair da vila, depois de um bom tempo, nosso personagem pode explorar o mundo e participar de missões para derrubar os Vrakhiri e resgatar sua família. A partir daqui, começa a contagem dos 30 dias até a coroação dos vampiros.

Gameplay

O jogo tem uma gameplay extremamente quebrada nas primeiras horas. Tudo isso porque você precisa acertar, com o analógico, a direção de onde virá o ataque do inimigo. Porém, vários inimigos podem atacar ao mesmo tempo. Então, mesmo que você acerte a defesa, ainda assim sofrerá dano de outro inimigo que o atacou.

Felizmente, o jogo tem uma habilidade que permite contornar esse problema. Se você melhorá-la ao máximo, não importa a direção do ataque: seu personagem vai se defender, ao custo de uma parcela da estamina. Isso facilita muito a jornada, já que não será necessário andar com itens de cura durante a exploração, e você poderá investir seus pontos de habilidade no que for mais confortável para seu estilo de jogo.

Outro problema da gameplay é o sistema de mira durante o combate. Ele alterna entre os inimigos o tempo todo. Mesmo que você trave a mira em algum deles, ela muda sozinha. ISSO É QUEBRADO!

Muitas vezes, há inimigos rápidos, como cachorros, que nem precisam atacar: basta andarem ao fundo do cenário para que sua mira se desloque e você acabe atacando o vento.

As magias do jogo são muito divertidas, e a mecânica de ser humano e bruxo durante o dia e vampiro à noite é bem criativa. Isso torna a exploração bastante divertida, pois há coisas que você só pode fazer enquanto humano e outras que só são possíveis enquanto vampiro. Cada uma dessas atividades oferece recompensas únicas e diálogos opcionais.

Por exemplo, como vampiro, posso optar por lutar usando as garras vampíricas, utilizar habilidades que controlam o sangue dos inimigos como arma ou usar minhas habilidades com a espada. Já como humano, posso utilizar feitiços que drenam a vida dos inimigos ou que fazem meus ataques atingirem também aqueles que estão por perto, além das habilidades com a espada.

Durante o dia, meu personagem usa um equipamento; durante a noite, usa outro. Assim, posso escolher quais habilidades melhorar, como a vida vampírica ou humana, o dano com garras ou espada, o dano com magia ou sangue e por aí vai.

O jogo oferece várias formas de concluir algumas missões, enquanto outras são bem lineares. Ainda assim, dá para perceber que houve certo esforço para criar pequenas ramificações a partir das nossas escolhas, embora poucas delas sejam percebidas no mundo.

Árvore de habilidades

Aqui temos uma das coisas mais estranhas de um RPG: não poder resetar a sua build. Portanto, distribua os pontos com cuidado.

A árvore de habilidades é dividida em três partes: habilidades vampíricas, habilidades com a espada e bruxaria. A árvore de habilidades com a espada é a única que funciona tanto de dia quanto de noite, incluindo as habilidades passivas.

Minha recomendação é não gastar pontos em habilidades que não combinam com a sua build. Habilidades como reduzir o consumo de estamina ao ficar pendurado em uma parede e aumentar o alcance do teletransporte como vampiro são pontos praticamente inúteis.

Inclusive, fazendo um comparativo com inFAMOUS, do PS3, temos uma DLC em que o protagonista, Cole, se transforma em vampiro. Nela, podemos voar enquanto estamos nessa forma, algo que não foi bem pensado em Blood of Dawnwalker. Afinal, somos vampiros que não voam nem se transformam em morcegos, o que é bem decepcionante.

Quanto às habilidades de corrida, recomendo colocar apenas um ponto em cada uma, porque, quando você está rápido demais, não se inicia um combate aleatório no mapa.

Vale lembrar que, para desbloquear as habilidades, você precisa encontrar livros que liberam a possibilidade de comprá-las. No caso das habilidades vampíricas, o progresso depende da quantidade de sangue que você consome, seja de animais, monstros ou humanos. Para desbloquear as habilidades de ataque mais fortes, é necessário consumir sangue Vrakhiri.

Quests e personagens

Temos alguns personagens muito bem escritos, com suas motivações bem definidas, enquanto outros não têm peso algum. Em geral, os personagens principais são bem desenvolvidos, os secundários também, mas em menor escala, e os terciários acabam sendo oito ou oitenta.

O que quero dizer com isso? Bem, no caso dos personagens secundários, suas escolhas influenciam outras missões, abrindo a possibilidade de resolver situações por meio do diálogo, sem precisar lutar ou pagar. É como se fosse um crédito acumulado pelas suas ações ao longo do jogo.

Já os personagens terciários são outra história. Imagine que você acabou de resgatar um personagem que, em teoria, deveria fazer parte de algo maior na narrativa. No entanto, esse personagem tem o mesmo modelo de outros 50 NPCs, com a mesma voz, e não tem peso algum na história. Outros até apresentam alguma consequência, mas ela é pequena. Nenhuma dessas pequenas escolhas vai influenciar o final do jogo.

Se compararmos isso com a obra-prima do mesmo diretor, The Witcher 3, veremos que até as pequenas ações realizadas pelo jogador no mundo são reconhecidas. Um NPC pode comentar que já ouviu falar de determinado acontecimento, seja ele relacionado a The Witcher 2 ou a The Witcher 3.

Uma coisa que foi bem-feita são as variações de finais que podemos encontrar no jogo. Temos finais egoístas e outros em que conseguimos a ajuda de nossos aliados, e cada um deles traz consequências para o vilarejo, para nossa família e para os Vrakhiri.

As missões da corte também nos dão várias opções de conclusão. Portanto, em uma primeira jornada, cada pessoa pode ter uma experiência diferente. Cada escolha também pode render um item diferente.

Então, faça o máximo de missões secundárias possível para desbloquear opções de finais diferentes.

Só por curiosidade, dá para zerar o jogo em duas horas, caso vocês queiram.

Chefes

O sistema de missões da corte é bem divertido. Aqui, é como se estivéssemos em um feudo: enquanto o rei dos vampiros se prepara para a coroação, seus vassalos fazem o trabalho sujo. Cada um tem seus objetivos e sua personalidade.

É aqui que o jogo brilha, pois você pode encontrar esses chefes pelo mundo, em locais específicos, e derrotá-los ali mesmo. Também podemos deixá-los vivos, fazendo com que, na última missão, defendam o castelo onde nossa família está presa.

Imagem da análise

Outra possibilidade é realizar as missões da corte até que cada um deles fique irritado, fazendo surgir uma missão especial para enfrentá-los de surpresa.

Cada uma de suas ações contra a corte aumenta seu nível de infâmia, e cada nível traz uma consequência, como aumento de impostos, mais soldados nas estradas e nas cidades, toque de recolher, até que você se transforme em um inimigo público.

Uma coisa de que senti falta foi a presença do chefe final ao longo da campanha. Gostaria que houvesse mais cenas com ele durante o jogo. A situação acaba ficando parecida com o que a Ubisoft fez em Far Cry 5, em que só temos contato com o antagonista duas vezes durante praticamente todo o jogo.

Mundo

Imagem da análise

O mundo conta com dungeons, lugares amaldiçoados, casas vazias, missões secundárias e muito mais. O legal é se adaptar a cada situação dependendo do horário do dia.

O comércio funciona durante o dia, enquanto à noite temos torres que permitem desbloquear novos pontos de interesse. Isso diversifica bem a exploração e os cenários.

O mundo apresenta vários elementos inspirados na história, principalmente aqueles relacionados à Igreja Católica, ao judaísmo e a toda a concepção dos vampiros. Isso torna a exploração bastante divertida, despertando a curiosidade de conhecer mais sobre o universo do jogo.

O ponto negativo aqui é a quantidade de inimigos, que é pequena para um RPG. Além disso, não temos lobisomens no jogo, algo clássico das histórias de vampiros. Afinal, eles são rivais e inimigos declarados em muitas obras da cultura pop.

Bugs

Ao usar a habilidade de andar pelas paredes, meu personagem foi lançado ao infinito em uma velocidade absurda, até aparecer em outro ponto do mapa. Isso se deve a uma falha de colisão que não interpreta corretamente a posição do personagem em relação à superfície.

Ao descer um desfiladeiro usando as garras, meu personagem encontrou um erro de colisão e caiu, morrendo.

Ao escalar uma torre, o drift do meu controle fez com que meu personagem caísse no chão enquanto eu estava abrindo um baú. A consequência desse bug foi que não consegui mais interagir com NENHUM OBJETO do cenário, nem iniciar diálogos com NPCs. Para corrigir isso, tive que fechar o jogo e recarregar o save.

Ao usar a habilidade de sugar o sangue dos inimigos, derrubei um deles de um precipício e o combate foi encerrado. O problema é que, ao derrotar esse inimigo, deveria ser ativado um diálogo. Segui o caminho da missão e explorei o mapa até chegar a um beco sem saída. Fiquei por duas horas procurando o lugar para onde deveria ir, mas, no final, tive que voltar a um save anterior.

O que aconteceu foi que, como um gatilho não foi ativado, um personagem que eu deveria encontrar no final da dungeon não foi carregado, tornando IMPOSSÍVEL concluir essa missão.

Veredito

Mesmo que o jogo tenha um orçamento de 40 milhões de dólares, não posso avaliá-lo como um AA considerando o preço cobrado pelo produto: R$ 400.

É um jogo que vale a pena jogar, principalmente se você gosta de RPGs e de vampiros. Porém, considero que o preço ideal para ele seria R$ 150.

Blood of Dawnwalker é bastante divertido, e a desenvolvedora já confirmou uma sequência que se passará em outro momento histórico. Como vampiros não morrem naturalmente, é possível imaginar um jogo ambientado em 1400, outro em 1800 ou até mesmo nos dias atuais.

Por isso, espero muito mais de uma sequência, com uma ambientação na pegada de Bloodborne, com uma estética vitoriana.
Imagem da análise

Nota: 7,5/10.