Bloodborne BBPORT

Terminei o jogo do início ao fim através do BBPort e, apesar de alguns crashes, a experiência já está surpreendentemente próxima de um port nativo.

Bloodborne BBPORT
Nota 7
Escrita por Kaká 13/10/2026, 13:50 Jogado em: PC

Bloodborne no PC deixou de ser apenas aquela demonstração técnica que funciona durante os primeiros minutos e depois começa a quebrar. Eu resolvi jogar justamente porque praticamente todos os vídeos que encontrava mostravam apenas o começo do jogo, então queria responder uma pergunta simples: dá realmente para começar Bloodborne no PC, jogar normalmente e chegar até o final? Depois de completar a campanha, minha resposta é sim. Na minha experiência, o jogo está completamente jogável do início ao fim. Existem crashes ocasionais, mas não encontrei soft locks, bugs gráficos importantes, problemas de controle ou algum ponto da campanha que simplesmente impedisse meu progresso. Texto colado

Eu não estou avaliando apenas os primeiros 20 minutos de Bloodborne no PC. Fui até o último chefe justamente para descobrir se o projeto realmente aguenta uma campanha completa — e aguentou.

Bloodborne finalmente está em um estado no qual eu consigo recomendar a experiência

Quando comecei a testar o BBPort, minha maior preocupação não era necessariamente desempenho. Eu queria saber se em algum momento encontraria uma porta que não abrisse, uma boss fight quebrada, um evento que não ativasse ou algum erro que obrigasse simplesmente a abandonar a campanha. Isso não aconteceu. Durante todo o meu tempo de jogo, os problemas que realmente apareceram foram crashes ocasionais. Eles são inconvenientes, obviamente, mas quando o jogo estava funcionando, ele funcionava extremamente bem. Não encontrei artefatos gráficos relevantes, bugs de resolução, comandos quebrados ou qualquer soft lock provocado pelo port. Texto colado Essa diferença é importante porque uma coisa é dizer que Bloodborne “abre no PC”. Outra completamente diferente é dizer que ele pode ser jogado como um videogame normal. Hoje, na minha experiência, o BBPort já está muito mais próximo da segunda situação. Não afirmo que absolutamente todo jogador terá exatamente o mesmo resultado porque hardware, configurações e atualizações podem mudar o comportamento, mas depois de terminar a campanha eu já considero o projeto maduro o suficiente para deixar de ser apenas uma curiosidade tecnológica.

60 FPS mudam completamente a sensação de Bloodborne

O jogo rodou tranquilamente a 60 FPS na minha máquina. Curiosamente, eu acabei preferindo uma configuração diferente: limitei Bloodborne a 30 FPS dentro do BBPort e utilizei o Lossless Scaling para gerar uma apresentação em 60 FPS. Para mim, essa combinação ficou bastante confortável e não percebi input lag que prejudicasse a experiência. O BBPort possui opções para taxas maiores, chegando até 120 FPS, mas minha prioridade era estabilidade e não simplesmente colocar o maior número possível no contador. Texto colado E é justamente aí que Bloodborne ganha uma vida completamente diferente. O jogo original sempre ficou associado aos 30 FPS do PS4, então vê-lo com uma apresentação muito mais fluida no PC muda bastante a experiência, principalmente em combates rápidos, esquivas e chefes. Não transforma Bloodborne em outro jogo, mas deixa a resposta visual muito mais agradável e reforça o quanto essa obra merecia há anos uma versão oficial moderna.

Os crashes ainda são o principal problema

Se existe uma coisa que ainda impede o BBPort de parecer completamente pronto, são os crashes. Eles aconteceram durante minha campanha e continuam sendo algo que precisa melhorar. A boa notícia é que percebi uma redução deles após atualizações recentes. Quando comecei a jogar, o comportamento era menos estável; depois, principalmente com a versão 1.7 e algumas otimizações adicionais, minha experiência melhorou. Também utilizei uma modificação voltada para processadores Intel que promete reduzir carga de CPU e ajudar com estabilidade. Os crashes não desapareceram completamente, mas percebi menos quedas de desempenho. Antes eu via alguns momentos caindo para aproximadamente 26 FPS no limite de 30; depois da modificação, o jogo ficou mais firme nessa taxa, o que também ajudou bastante no frame generation utilizado por mim. Texto colado O mais importante é que nenhum desses crashes destruiu minha campanha. Reiniciava, voltava e continuava jogando. Não é o cenário ideal e obviamente quero ver isso corrigido, mas existe uma diferença enorme entre “o jogo crasha ocasionalmente” e “o jogo quebra e você não consegue terminar”. Meu caso foi claramente o primeiro.

A atualização 1.7 adicionou conquistas no estilo PlayStation

Outro recurso interessante chegou enquanto eu ainda estava jogando. A versão 1.7 adicionou um sistema próprio de conquistas ao launcher, incluindo troféus de bronze, prata, ouro e até Platina, seguindo uma estrutura muito parecida com aquela conhecida pelos jogadores do PlayStation. Quando comecei minha campanha, esse recurso ainda não existia, mas a atualização chegou enquanto eu estava no meio do jogo. Texto colado Eu pessoalmente não sou alguém que escolhe um jogo por causa de conquistas, mas sei que existe uma comunidade gigantesca que gosta de completar tudo. Para esse público, é uma adição importante porque aproxima ainda mais o BBPort daquela sensação de uma experiência completa. Evidentemente, não estamos falando dos troféus oficiais vinculados à PSN, mas de um sistema próprio utilizado dentro do projeto.

Mods deixam a experiência ainda mais interessante

O BBPort também possui suporte organizado a mods através do próprio launcher. Em vez de modificar permanentemente os arquivos do jogo, é possível ativar ou desativar determinadas alterações e voltar facilmente à configuração original. Isso abre espaço para melhorias de desempenho, ajustes gráficos e diferentes modificações criadas pela comunidade. Essa flexibilidade é uma das coisas que mais diferenciam a experiência do PC. Bloodborne já era um jogo extremamente querido no PS4, mas no computador começa a receber exatamente aquilo que durante anos os fãs pediram: taxas de quadros maiores, diferentes soluções de resolução, correções comunitárias e liberdade para personalizar a experiência.

Eu fiz questão de terminar tudo que pude para testar

Não quis parar quando percebi que as primeiras áreas estavam funcionando. Continuei justamente porque queria testar chefes, progressão, eventos e a estrutura da campanha. Cheguei ao último chefe e escolhi enfrentá-lo para confirmar que a boss fight funcionava normalmente em vez de utilizar a alternativa que permite terminar sem aquele combate. Até esse ponto, tudo funcionou. Texto colado Também comecei a DLC e, durante aquilo que joguei, ela continuou funcionando normalmente. Não terminei todo o conteúdo adicional, portanto não vou afirmar que testei 100% da DLC, mas as áreas que visitei não apresentaram problemas relevantes. Na campanha principal, porém, minha experiência foi completa: comecei, avancei normalmente e terminei.
Para quem tinha medo de investir dezenas de horas e descobrir no meio do caminho que determinada área simplesmente não funciona, minha experiência foi exatamente o contrário: terminei Bloodborne e enfrentei todos os principais obstáculos da campanha sem encontrar nenhum bloqueio técnico.

E jogar novamente mudou até minha opinião sobre Bloodborne

Existe ainda um aspecto pessoal interessante. Quando joguei Bloodborne originalmente no PlayStation, não me apaixonei pelo jogo da mesma maneira que muita gente. Cheguei a abandonar minha antiga campanha pela metade. Dessa vez aconteceu algo diferente. Talvez tenha sido a curiosidade de acompanhar o projeto funcionando, talvez tenha sido a fluidez maior ou simplesmente o momento, mas eu realmente tive vontade de continuar até o final. E Bloodborne é um jogaço. Dentro dos Soulslike que joguei, ele entra tranquilamente entre meus favoritos. Existem outros títulos que pessoalmente coloco acima, mas terminar Bloodborne dessa vez me fez entender melhor por que existe uma comunidade que passou tantos anos pedindo uma versão atualizada desse jogo.

O mais impressionante é que isso veio da comunidade

Talvez essa seja a parte que mais me chama atenção. Bloodborne passou anos preso ao PlayStation 4 enquanto jogadores pediam remaster, remake, patch de 60 FPS ou simplesmente um port oficial para PC. Nada disso aconteceu oficialmente. Enquanto isso, desenvolvedores independentes e a comunidade foram trabalhando até chegar a um ponto em que eu consegui sentar no meu computador e terminar o jogo inteiro de forma extremamente satisfatória. No vídeo eu também destaquei como ferramentas modernas, incluindo IA, estão começando a auxiliar programadores nesse tipo de projeto. IA não faz o trabalho sozinha e seria injusto apagar o trabalho humano envolvido. Ela é uma ferramenta dentro do processo. O mérito continua sendo das pessoas capazes de compreender o código, corrigir problemas, testar, desenvolver ferramentas e transformar aquilo em algo utilizável. Texto colado Mas é difícil não ficar animado imaginando onde isso pode chegar. Estamos vendo ports comunitários, recompilações, relinking e diferentes projetos surgindo em uma velocidade enorme. Para preservação de jogos, isso pode representar uma mudança gigantesca nos próximos anos.

Ainda não é perfeito, mas já passou do estágio de curiosidade

Eu não quero vender a ideia de que o BBPort é perfeito. Não é. Os crashes existem e ainda existem otimizações a serem feitas. Dependendo do hardware, certamente outras pessoas podem encontrar comportamentos diferentes dos meus. Também estamos falando de um projeto comunitário, então não existe o mesmo suporte que esperaríamos de um produto comercial tradicional. Mas também não considero mais justo tratar isso como uma demonstração experimental que você abre durante dez minutos e fecha. Eu terminei Bloodborne através desse projeto. Isso muda completamente minha avaliação. O jogo teve começo, meio e fim. As boss fights funcionaram. Os controles funcionaram. A resolução funcionou. O desempenho foi bom. O áudio funcionou. Não encontrei soft lock. E, tirando os crashes ocasionais, tive uma experiência surpreendentemente limpa.

Minha opinião

Para mim, o resultado é brilhante principalmente porque prova o quanto a preservação comunitária avançou. Durante anos ouvimos que determinadas versões não existiam porque eram difíceis, porque não havia interesse comercial ou simplesmente porque a empresa não queria investir naquele projeto. A comunidade não possui orçamento de uma Sony, não possui acesso ao código-fonte completo e não possui centenas de funcionários trabalhando exclusivamente nisso — e mesmo assim conseguiu entregar uma forma extremamente competente de jogar Bloodborne no computador. Isso não significa que eu prefira um projeto comunitário a um port oficial bem produzido. Obviamente eu gostaria que a própria Sony lançasse Bloodborne no PC, com suporte oficial, otimização para diferentes hardwares e todas as garantias de uma versão comercial. O problema é que esperamos anos e isso nunca aconteceu. Então hoje eu olho para o BBPort e minha avaliação é simples: se o objetivo era descobrir se Bloodborne realmente pode ser jogado do início ao fim no PC, para mim essa pergunta já foi respondida. Sim, pode. Ainda existem crashes. Ainda existe espaço para melhorar. Mas o jogo que eu comecei foi o jogo que eu terminei.
Bloodborne no PC não é mais apenas aquele vídeo de cinco minutos mostrando Central Yharnam funcionando. Eu joguei a campanha completa e cheguei ao último chefe. Para mim, o projeto já passou da fase de prova de conceito e entrou na fase em que realmente dá para sentar, jogar e terminar Bloodborne no computador.

▶ ASSISTIR À ANÁLISE EM VÍDEO