Castlevania Belmont Curse

Castlevania: Belmont's Curse marca um retorno digno da franquia, com exploração envolvente, combate divertido e um excelente sistema de cartas de tarô. Apesar da pouca variedade de inimigos e de alguns problemas visuais, a aventura preserva a essência de Castlevania e oferece uma experiência recompensadora, especialmente para os fãs da série.

Castlevania Belmont Curse
Nota 9.5
Escrita por Rafa Pedro 04/11/2026, 15:12 Jogado em: PlayStation 5

1. História — O retorno dos Belmont

A história de Castlevania: Belmont's Curse se passa no ano de 1499, 23 anos após os acontecimentos de Castlevania III: Dracula's Curse, jogo protagonizado por Trevor Belmont.

Dessa vez, somos levados até uma Paris medieval, que está sendo tomada por criaturas monstruosas. Diante dessa ameaça, Trevor Belmont é convocado para investigar e combater as forças responsáveis pelo ataque.

Ao seu lado está sua filha, Rose Belmont, que assume o protagonismo desta nova aventura.

Logo no início, Trevor deixa sua filha responsável por investigar e compreender o ataque das criaturas, enquanto ele próprio vai conversar com o responsável pela cidade.

A história começa de maneira intrigante, não apenas pelo mistério envolvendo a invasão das criaturas, mas também pela curiosidade de acompanhar uma nova protagonista dentro de uma franquia tão tradicional. Afinal, estamos diante de uma nova geração dos Belmont, e descobrir como Rose vai lidar com esse legado é um dos pontos interessantes da narrativa.

2. Gameplay — A essência de um Metroidvania

Quando falamos de gameplay, Belmont's Curse segue a essência dos Metroidvanias: começamos com um conjunto relativamente simples de movimentos e habilidades, mas, conforme exploramos seu vasto mapa, novas possibilidades são apresentadas ao jogador.

Atacar, esquivar, aparar, pular e até mesmo atravessar determinados obstáculos utilizando habilidades específicas. Tudo isso faz parte de uma experiência que vai se expandindo conforme avançamos na aventura.

E, claro, não poderiam faltar as tradicionais salas escondidas, passagens secretas e recompensas espalhadas pelo cenário, elementos que fazem parte da identidade da franquia.

Outro destaque está na variedade de armas. Ao todo, são 28 armas, divididas em sete categorias, com quatro opções em cada uma: espadas comuns, espadas com escudo, espadas duplas, espadões, armas de punho, como soqueiras, e chicotes.

Todas possuem diferentes raridades, mas o grande destaque fica para as armas lendárias de cada categoria. Elas apresentam características próprias e algumas carregam referências bastante conhecidas pelos fãs da franquia.

E descobrir essas armas faz parte da experiência. Então, não vou estragar a surpresa.

Entretanto, existe um ponto que me incomodou: a variedade de inimigos comuns.

Se estivéssemos falando de um jogo de outro gênero, talvez isso não fosse um problema tão evidente. Mas estamos falando de um Metroidvania com um mapa gigantesco, que exige bastante tempo de exploração e coloca o jogador constantemente em combate.

Consequentemente, encontrar os mesmos tipos de inimigos durante boa parte da campanha acaba tornando alguns confrontos repetitivos.

E isso fica ainda mais evidente quando comparamos o jogo com outros representantes do gênero, como Hollow Knight: Silksong, ou até mesmo com Symphony of the Night, quando olhamos para a própria história de Castlevania.

3. Cartas de Tarô — A melhor mecânica do jogo

Se existe uma mecânica que merece um destaque especial nesta review, são as cartas de tarô.

Simplesmente, foi a mecânica mais divertida de toda a minha experiência com Belmont's Curse.

Essas cartas foram originalmente criadas por Sypha Belnades, mãe de Rose, e acabam chegando até as mãos da protagonista. Durante a gameplay, elas funcionam como o principal recurso para utilizar habilidades mágicas.

Mas existe um detalhe interessante: para conseguir utilizar os poderes de cada carta, primeiro precisamos encontrar e capturar os Arcanos correspondentes.

E é aqui que o jogo apresenta uma das suas ideias mais interessantes.

Para encontrar cada Arcano, Belmont's Curse utiliza um sistema de pistas. Em determinados momentos, personagens ou até mesmo objetos espalhados pelo cenário fornecem informações sobre onde encontrar a criatura correspondente àquela carta.

No início da aventura, esse sistema acaba tendo uma importância menor, principalmente porque a progressão é mais linear.

Entretanto, conforme liberamos novas regiões e o mapa começa a se expandir, essas pistas se tornam cada vez mais importantes, ajudando o jogador a descobrir caminhos e localizar os Arcanos que ainda faltam.

É uma mecânica que incentiva a exploração sem simplesmente entregar a localização de tudo ao jogador.

Na minha opinião, foi muito bem implementada e representa um dos maiores acertos de Belmont's Curse.

4. Você vai ficar perdido!

Se existe uma característica que define os Metroidvanias, é a liberdade de exploração. E, consequentemente, a possibilidade de ficar completamente perdido.

Uma fórmula que Castlevania, ao lado de Metroid, ajudou a estabelecer.

Em Belmont's Curse, não é diferente. Você vai encontrar regiões que parecem não ter saída, caminhos que ainda não consegue acessar e momentos em que simplesmente não vai saber para onde ir.

Às vezes, isso acontece porque ainda não descobrimos como resolver determinado obstáculo. Em outras situações, simplesmente não temos o Arcano ou a habilidade necessária para continuar.

Mas não encare isso como um problema.

Quanto mais você explora, mais recompensas encontra, mais recursos desbloqueia e mais evidente se torna a evolução da personagem. Até mesmo os confrontos podem ficar mais tranquilos conforme você amplia seu arsenal.

Portanto, não tenha pressa para chegar ao final.

Explore, volte para regiões anteriores e procure caminhos que ficaram para trás. Você tem todo o tempo do mundo para conhecer cada canto desse castelo antes de enfrentar Drácula novamente.

5. Level Design — Um Castlevania moderno

O level design de Belmont's Curse é condizente com aquilo que esperamos da franquia, mas também apresenta algumas modernizações que fazem sentido para uma série que passou tantos anos sem receber uma nova aventura desse estilo.

Tudo aquilo que faz um jogo pertencer à identidade de Castlevania está presente: exploração, passagens secretas, regiões interconectadas, obstáculos que exigem habilidades específicas e aquela sensação constante de que sempre existe alguma coisa escondida no mapa.

Entretanto, algumas dessas características foram repensadas, enquanto outras novidades foram introduzidas.

E isso é natural. Não seria razoável esperar que uma franquia tão antiga retornasse sem apresentar mudanças em sua estrutura.

Algumas dessas modernizações acabaram incomodando parte dos jogadores, mas, pelo que pude observar, certos problemas estavam muito mais relacionados à maneira como essas pessoas estavam encarando o jogo do que necessariamente às escolhas de design.

Em alguns momentos, Belmont's Curse exige atenção aos detalhes, interpretação das pistas e compreensão das mecânicas apresentadas. Nem sempre o jogo vai colocar uma indicação explícita na tela dizendo o que você precisa fazer.

E acredito que isso faz parte da experiência que ele pretende oferecer.

6. Pontos negativos

Como já mencionei anteriormente, a pouca variedade de inimigos comuns é um dos principais pontos negativos de Belmont's Curse.

Considerando o tamanho do mapa e a quantidade de horas que o jogador passa explorando suas regiões, encontrar adversários semelhantes repetidamente acaba prejudicando um pouco o ritmo da experiência.

Outro problema está na resolução de alguns elementos dos cenários.

Em determinados momentos, o jogo apresenta objetos e detalhes ambientais em uma resolução relativamente baixa. E não estamos falando de algo que você precisa parar de jogar e aproximar a câmera para perceber.

Existem situações em que o próprio jogo direciona a atenção do jogador para esses elementos, tornando a baixa definição bastante perceptível.

São problemas que não chegam a comprometer a experiência como um todo, mas que poderiam ter recebido um pouco mais de atenção.

7. A Platina — Desvendando todo o castelo

E para quem gosta de ir além da campanha principal, Castlevania: Belmont's Curse também oferece uma platina bastante divertida de conquistar.

A maioria dos troféus pode ser obtida durante a primeira jogada, mas existem alguns requisitos que vão exigir um pouco mais de dedicação.

Entre eles, temos a necessidade de alcançar 100% de todos os mapas, encontrar todos os Arcanos, aprimorar cada um deles, coletar todas as armas, cumprir determinados requisitos específicos e desbloquear os três finais do jogo.

E sim, os três finais podem ser obtidos em uma única jogada, desde que você cumpra os requisitos necessários.

Mas existe um troféu que merece uma atenção especial: terminar o jogo em até quatro horas.

Naturalmente, esse é um desafio que recomendo deixar para depois de conhecer bem o jogo, entender sua estrutura e descobrir os caminhos necessários para avançar com mais rapidez.

Apesar de exigir um pouco de planejamento, não considero um troféu particularmente difícil.

No fim das contas, a platina de Belmont's Curse incentiva o jogador a explorar cada canto do castelo, conhecer mais sobre o universo de Castlevania e dominar as mecânicas apresentadas durante a aventura.

É aquele tipo de platina que não parece simplesmente uma lista de tarefas colocadas para prolongar artificialmente a vida útil do jogo.

Pelo contrário, ela faz você aproveitar ainda mais aquilo que Belmont's Curse tem a oferecer.

Definitivamente, é uma platina que recompensa quem realmente quer extrair o melhor da experiência.

8. Veredito — Um retorno digno

Afinal, Castlevania: Belmont's Curse é um dos melhores jogos da franquia?

Provavelmente não.

Mas, considerando que estamos falando de uma série que passou aproximadamente 12 anos sem receber uma nova aventura inédita nesse formato, acredito que temos aqui um retorno bastante digno.

Uma nova história ambientada nos primórdios da franquia, muito antes dos acontecimentos envolvendo Alucard, acompanhada de uma gameplay divertida, rápida e que consegue preservar boa parte da identidade de Castlevania.

As lutas contra os chefes, apesar de não apresentarem uma dificuldade tão elevada, são divertidas e criativas. A história consegue entreter e manter o interesse do jogador até o final, enquanto as mecânicas de exploração e progressão oferecem bons motivos para continuar avançando.

Belmont's Curse talvez não consiga recuperar o posto de referência absoluta entre os Metroidvanias, principalmente quando consideramos o quanto o gênero evoluiu durante sua ausência.

Mas isso não significa que seja uma experiência ruim. Muito pelo contrário.

É um jogo que respeita suas origens, apresenta novidades interessantes e demonstra que ainda existe espaço para novas histórias dentro desse universo.

No mais, recomendo Castlevania: Belmont's Curse principalmente para quem já é fã da franquia e, assim como eu, estava esperando há bastante tempo por um novo jogo.

E que esse seja apenas o começo de um novo capítulo para os Belmont