Final Fantasy XVI
Final Fantasy XVI aposta em uma história madura, combates frenéticos e batalhas espetaculares entre Eikons. Apesar da trilha sonora marcante e da excelente gameplay, o jogo decepciona nas missões secundárias e na simplicidade dos elementos de RPG, mas consegue construir sua própria identidade dentro da franquia.
A HISTÓRIA
A história de Final Fantasy XVI é uma das mais maduras da franquia. O jogo apresenta um mundo marcado por guerras, conflitos políticos, desigualdade e pela exploração dos Dominantes, pessoas capazes de invocar os poderosos Eikons. Acompanhamos Clive Rosfield ao longo de diferentes momentos de sua vida, enquanto ele busca entender os acontecimentos que moldaram seu passado e enfrenta sua missão de libertar o povo de Valisthea da opressão.
É bem impactante a gente ver a diferença na maturidade da historia em comparação aos outros final fantasy, não que a franquia não tratasse de temas pesados, o proprio final fantasy 7 trata de temas como empresas gananciosas, preservação ambiental e por ai vai. Mas no 16 não existe nenhum tipo de alivio aos temas que ele aborda, tudo é falado e/ou mostrado diretamente, e isso é estranho na primeira vez, mas a medida que a narrativa se desenrola , voce entende que isso é exatamente o que final fantasy 16 precisa.
GAMEPLAY
Final Fantasy XVI é um jogo puramente de ação. Ele abandona boa parte dos elementos tradicionais de RPG para beber diretamente da fonte dos hack and slash. Inclusive, o diretor de combate do jogo é o mesmo responsável pelo combate de Devil May Cry 5.
Aqui entram os Eikons, as tradicionais invocações da franquia Final Fantasy. Ao longo da aventura, Clive tem acesso a diferentes Eikons, como Fênix, Garuda, Ramuh, Titan, Bahamut, Shiva e Odin. Cada um possui suas próprias habilidades, que podem ser aprimoradas.
Durante o combate, podemos equipar três Eikons simultaneamente. No começo, isso pode parecer um sistema um pouco engessado, mas, conforme as habilidades são aprimoradas, elas deixam de exigir que o Eikon original esteja equipado. Em outras palavras, é possível utilizar habilidades de diferentes Eikons dentro da mesma configuração.
Isso permite uma boa variedade de combinações e faz com que o jogador consiga adaptar seu estilo de gameplay. Algumas habilidades de Eikons diferentes também conversam muito bem entre si, criando combinações bastante interessantes.
Odin foge um pouco dessa regra, já que suas habilidades são dependentes umas das outras e não possuem interação com os demais Eikons.
No combate de espada, Final Fantasy XVI é essencialmente um hack and slash. Clive pode atacar, esquivar, utilizar pequenos golpes de fogo e combinar tudo isso com as habilidades dos Eikons.
Existe também a forma semimanifestada de Ifrit, que funciona de maneira semelhante ao modo Rage de Kratos em God of War. Ela aumenta a velocidade dos combos e o dano causado por Clive, sem impedir que as habilidades dos Eikons continuem sendo utilizadas.
Na minha experiência, lutar em Final Fantasy XVI é algo bem difícil de enjoar. Isso só se torna um problema se você usar a mesma combinação de Eikons durante todo o jogo. Alternar sua build e suas habilidades permite mudar a forma como você encara os combates, adiando a sensação de que tudo está sempre igual ao longo da jornada.
AS LUTAS DE EIKONS
Como já foi dito, existem diversos Eikons ao longo da aventura, e Clive não enfrenta apenas os Dominantes que possuem esses poderes, mas também as formas manifestadas desses próprios Eikons. E, meus amigos, é quando Final Fantasy XVI realmente brilha. Você sai de uma luta contra dois humanos e, de repente, passa a enfrentar personagens GIGANTES. A luta contra Garuda é a mais “normal” entre essas batalhas, mas o grande destaque fica para Titan. ELE SIMPLESMENTE NÃO CABE NA TELA DE TÃO ENORME QUE É. E então temos Bahamut, em uma batalha que chega a sair do próprio planeta. Essas lutas elevam Final Fantasy XVI a um nível absurdo. Não são apenas batalhas contra chefes, mas verdadeiros espetáculos que mostram até onde o jogo consegue levar sua escala. É difícil não ficar impressionado.
GRÁFICOS E DESEMPENHO
Os gráficos de Final Fantasy XVI são bonitos na maior parte do tempo, e sua direção artística cumpre muito bem o que se propõe.
O desempenho, porém, é um caso curioso.
Joguei Final Fantasy XVI no modo desempenho, no PS5 base, e durante os combates comuns o jogo consegue manter os 60 FPS muito bem. O problema aparece principalmente quando as lutas terminam: parece que o jogo tem mais dificuldade para manter a mesma estabilidade na taxa de quadros fora das lutas, o que é um tanto quanto curioso.
Não consigo dizer exatamente o quanto ela cai, mas é possível sentir a oscilação.
Nas batalhas contra os chefes maiores, essa instabilidade também pode aparecer. Ainda assim, considerando minhas aproximadamente 70 horas de jogo, considero que a experiência como um todo foi bastante estável.
TRILHA SONORA
Aqui temos outro ponto muito forte do jogo.
As músicas de Final Fantasy XVI conseguem transmitir muito bem a sensação que cada cena pretende passar. Cenas tristes ficam ainda mais intensas, momentos de luta se tornam mais emocionantes e até mesmo o encerramento de uma batalha contra um chefe ganha outro peso ao ouvir a clássica música de vitória da franquia, aqui apresentada em um ritmo de ópera.
É extremamente gratificante.
Trilha sonora é algo que a Square Enix raramente erra, e felizmente Final Fantasy XVI mantém essa tradição. A música não apenas acompanha os acontecimentos do jogo: em diversos momentos, ela consegue elevar a cena e tornar a experiência ainda mais marcante.
MISSÕES PRINCIPAIS E ATIVIDADES SECUNDÁRIAS
Final Fantasy XVI conta com diversas atividades secundárias: missões marcadas com o ícone verde no mapa, caçadas de monstros e os Totens de Eikon.
As missões secundárias verdes são, para mim, um dos pontos mais decepcionantes do jogo.
Parece que a Square Enix nunca consegue evoluir esse tipo de missão. No geral, você é enviado para buscar algum recurso, enfrenta uma pequena horda de inimigos, pega o recurso e volta para entregar a missão.
Em muitos casos, elas parecem existir apenas para aumentar o tempo de jogo.
Pelo menos existe uma facilidade importante: depois de pegar o recurso e precisar retornar, o jogo permite fazer fast travel diretamente para perto do personagem que solicitou a missão, o que agiliza bastante sua conclusão.
Vale ressaltar que algumas poucas missões principais também seguem essa mesma lógica das secundárias.
E isso é um tédio, sinceramente. Imagina você acabar de sair de uma luta contra um Eikon que fez o seu aparelho esquentar e, no momento seguinte, a missão secundária ou até mesmo a principal ser resumida a trocar ideia com um comerciante ou pegar um recurso em um canto do mapa onde você nunca iria parar se não fosse por causa dessa missão.
Por outro lado, as missões de caça são bem divertidas. Existe um mural na base com diferentes criaturas que precisam ser caçadas, e essa é uma mecânica que gosto pessoalmente. Foi bastante divertido procurar e enfrentar esses monstros. Embora alguns monstros para a caçada não apareçam no mural ou dependem de missões secundarias para serem desbloqueados.
Outro destaque são os Totens de Eikon. Neles, o jogador passa por uma sequência de três desafios utilizando apenas as habilidades de um único Eikon dentro de um tempo determinado que pode ser expandido ao realizar certas ações durante as lutas. Existe um totem para cada Eikon, e a dificuldade pode variar bastante dependendo de qual conjunto de habilidades você precisa utilizar, seja pela natureza do Eikon em questão ou do seu nível de conhecimento das habilidades do mesmo em questão.
AFINAL, ELE É UM FINAL FANTASY?
Final Fantasy XVI é marcado por ser um Final Fantasy muito diferente dos outros.
O fato de abandonar boa parte dos elementos de RPG e seguir um caminho muito mais próximo de Devil May Cry gerou muitas críticas, principalmente entre os fãs de longa data da franquia.
Mas não acho que mudar seja um problema por si só.
Vivemos em uma indústria em que franquias mudam. God of War, Assassin's Creed e até Elden Ring mostram como diferentes séries podem experimentar e mudar suas estruturas.
Para mim, a questão não é a mudança em si, mas o resultado dela.
E, nesse caso, não acho que a mudança tenha resultado em algo negativo, mas ainda é bem perceptível o quanto esse jogo é criticado só pelo fato de não ser um jogo por turno ou por não ser um RPG. O que colabora é o fato da square toda hora mudar o padrão da franquia, fazendo com que o feedback do jogo anterior basicamente não tenha tanta utilidade para o jogo seguinte, basta comparar final fantasy 16, os remakes do final fantasy 7, e o final fantasy 15, estruturas totalmente diferentes que mal conversam.
PONTOS NEGATIVOS
Os inimigos podem passar uma sensação de serem "esponjas de dano". Mesmo estando acima do nível recomendado para determinada área, alguns inimigos dificilmente morrem antes de você completar uma rotação de habilidades de um único Eikon.
Alguns elementos da historia ficam um tanto quanto desconexos ou ate perdem o impacto que deveriam ter na campanha.
As missões secundarias são só pra enrolar e aumentar artificialmente o tempo de gameplay do jogo.
Algumas missões principais possuem o mesmo comportamento das missões secundarias.
CONCLUSÃO
Final Fantasy XVI é uma mistura entre coisas boas e desagradáveis
Eu esperava um hack and slash muito mais próximo de Devil May Cry do que de um Final Fantasy tradicional, e foi exatamente isso que encontrei. O combate é frenético e divertido, a história é madura e emocionante e Clive é um excelente protagonista.
Por outro lado, as missões secundárias são extremamente cansativas, o sistema de RPG é simples e algumas escolhas afastam bastante o jogo das características tradicionais da franquia.
Está longe de ser um dos meus favoritos da franquia, mas é um jogo que eu jogaria novamente.