Gears of War: E-Day foi uma surpresa muito maior do que eu esperava. Antes de jogar, imaginava que seria simplesmente mais um Gears bonito mantendo praticamente a mesma estrutura dos anteriores, mas depois de terminar a campanha minha opinião mudou bastante. Para mim, a The Coalition conseguiu fazer o melhor jogo da franquia até hoje. O grande problema é que existe um obstáculo enorme entre E-Day e uma experiência realmente excelente: o estado técnico no qual encontrei o jogo. Recebemos uma chave da Microsoft para análise, mas isso obviamente não muda minha opinião. Quando acho um jogo ruim, falo que é ruim; quando acho bom, também preciso reconhecer, e nesse caso a The Coalition merece bastante elogio pelo trabalho realizado principalmente na gameplay.
Gears of War: E-Day é, para mim, o melhor jogo da franquia. A jogabilidade evoluiu exatamente onde precisava sem destruir aquilo que sempre funcionou em Gears. Se não fossem os inúmeros bugs de progressão que encontrei, minha nota seria facilmente maior.
Visualmente existe uma boa evolução
Uma das primeiras coisas que me surpreenderam foi a parte gráfica. Antes de jogar eu cheguei a comentar que não estava vendo uma diferença tão grande em relação a Gears 5, mas depois de passar algumas horas com E-Day ficou claro que existe uma evolução. Não diria que estamos diante de uma diferença absurda, mas os gráficos estão melhores, as texturas possuem mais qualidade, armas e armaduras apresentam mais detalhes e principalmente
a modelagem dos personagens evoluiu bastante.
A direção artística também ajuda muito porque E-Day resgata aquela estética mais pesada e sombria dos primeiros jogos. Como estamos falando de uma história anterior ao primeiro Gears of War, a The Coalition consegue utilizar bastante daquela identidade clássica da franquia, o que naturalmente provoca uma sensação de nostalgia para quem acompanha Gears há anos. A violência também continua exatamente onde deveria estar: tiros de escopeta destroem inimigos, a Lancer continua cortando adversários no meio, cabeças explodem e o gore permanece sendo parte importante da identidade da série.
A melhor gameplay que Gears já teve
É na jogabilidade que E-Day realmente brilha. Para mim,
essa é disparada a melhor movimentação que a franquia já teve. O personagem deixou de passar aquela sensação de um caminhão desgovernado correndo curvado e com dificuldade para simplesmente mudar de direção. Agora tudo é mais fluido: Marcus corre de maneira mais natural, consegue mudar rapidamente de direção durante a movimentação e utiliza melhor o cenário.
O sistema de cobertura também recebeu melhorias interessantes. Em determinados lugares, quando existe uma proteção muito baixa, o personagem consegue praticamente se abaixar ou deitar atrás dela para continuar protegido. Outra novidade é o pulo, que não está ali apenas por estar e realmente ajuda a tornar a movimentação mais leve. O maior mérito da The Coalition foi entender que não precisava reinventar Gears:
eles mantiveram a base clássica e melhoraram justamente aquilo que estava envelhecendo. Você continua entrando em cobertura, trocando tiros e utilizando as armas clássicas, mas agora tudo responde melhor. Se eu fosse avaliar exclusivamente a movimentação comparando com os jogos anteriores, seria 10/10.
A campanha está mais dinâmica
Outra decisão que gostei bastante foi incluir pequenas áreas mais abertas durante a campanha. E-Day não vira um jogo de mundo aberto, mas existem momentos em que você pode explorar um pouco mais e encontrar atividades secundárias pelo caminho. Essas missões funcionam quase como pequenas versões do modo Horda: você pode encontrar uma área onde precisa proteger sobreviventes ou defender determinado ponto enquanto ondas de inimigos começam a aparecer, utilizando armadilhas, defesas automáticas e outros recursos espalhados pelo ambiente.
Isso ajuda bastante no ritmo porque você está fazendo a campanha normalmente, avançando pela história e enfrentando inimigos, mas em determinado momento pode desviar do caminho e participar de uma dessas situações antes de continuar.
Essas atividades funcionam como pequenas doses do modo Horda dentro da campanha e quebram a repetição sem transformar E-Day em outra coisa.
Armas familiares com mais possibilidades
O arsenal mantém bastante da identidade clássica. Durante minha campanha, não percebi nenhuma arma completamente revolucionária que mudasse aquilo que já conhecemos da franquia, mas também não considero isso um problema. E-Day acontece antes do primeiro jogo, então seria estranho apresentar dezenas de armas extremamente avançadas que simplesmente desapareceriam cronologicamente nos títulos seguintes.
O que muda é que agora existem modificações para as armas. Você consegue melhorar características como precisão, dano em determinadas situações e comportamento da recarga. Também existem perks e habilidades adicionais, como uma adrenalina que recupera rapidamente sua vida e outras opções que ajudam no controle dos inimigos. Nada disso transforma Gears em um RPG, mas adiciona variedade suficiente para evitar que a campanha inteira pareça exatamente a mesma coisa. Eu ainda acho que o sistema poderia evoluir mais, principalmente com modificações que alterassem visualmente as armas, componentes e tipos de munição, mas do jeito que está já funciona bem.
Inimigos clássicos ajudam na nostalgia
A campanha também traz de volta diferentes criaturas e inimigos associados aos jogos anteriores. Para quem acompanha a franquia há bastante tempo, reconhecer determinadas ameaças funciona muito bem, principalmente porque estamos jogando uma história ambientada no início do conflito. Não parece simplesmente fan service colocado de qualquer maneira: faz sentido encontrar algumas dessas criaturas novamente.
Essa combinação de elementos antigos com uma gameplay mais moderna é justamente uma das grandes forças de E-Day. Você reconhece imediatamente Gears of War, mas não sente que está simplesmente jogando o mesmo jogo de vinte anos atrás com gráficos melhores.
A história nunca foi o principal motivo para eu jogar Gears
Na parte narrativa minha opinião é bastante simples: nunca considerei história o maior ponto forte de Gears of War. Existe toda uma lore envolvendo a franquia, livros, quadrinhos e detalhes sobre seu universo, e obviamente existe uma comunidade que acompanha profundamente tudo isso, mas falando exclusivamente da maneira como eu consumo Gears, nunca joguei esses jogos principalmente por causa da história.
Para mim sempre foi gameplay. É sentar, pegar uma arma, entrar em cobertura, explodir inimigos e seguir em frente. E-Day mantém bastante essa lógica. A história funciona, ajuda a contextualizar aquilo que está acontecendo e existe o fator interessante de acompanhar um período anterior aos primeiros jogos, mas não foi o elemento que mais me marcou. O que realmente me manteve jogando foi o fato de que
sempre existe alguma coisa acontecendo: combate, exploração, atividades secundárias, defesa de áreas e encontros diferentes mantêm a campanha em movimento.
A estética dos personagens combina com Gears
Também existe discussão na internet sobre o visual das personagens e acusações de algum tipo de agenda porque várias mulheres possuem aparência fisicamente forte. Sinceramente, eu não vejo dessa maneira. Estamos falando de um universo brutal, em guerra, no qual os personagens utilizam armaduras enormes e enfrentam criaturas capazes de destruir uma pessoa em segundos. Nesse contexto, personagens com aparência fisicamente preparada fazem completo sentido.
Eu não espero encontrar pessoas impecavelmente maquiadas ou modelos de passarela enquanto aquele mundo está literalmente desmoronando. Para mim,
o visual dos personagens combina perfeitamente com a proposta e com a identidade de Gears. É muito mais importante que pareçam fazer parte daquele universo do que transformar cada personagem em algo criado simplesmente para agradar determinados grupos da internet.
Os bugs de progressão são o grande problema
Infelizmente chegamos à parte que realmente prejudicou minha experiência. Durante o período em que joguei, E-Day estava bastante bugado e não estou falando apenas de pequenos erros visuais: encontrei
bugs capazes de impedir o progresso da campanha. Foram aproximadamente quatro situações de soft lock durante minha jogatina.
Em uma delas, um caminhão precisava dar ré para liberar o caminho e simplesmente não realizou a animação. Como eu ainda não conhecia aquela parte, fiquei andando pelo cenário tentando descobrir para onde precisava ir até perceber que o jogo havia quebrado. Em outro momento, um NPC que eu precisava acompanhar ficou preso em uma parede. Também encontrei uma porta que simplesmente não abria e um cofre cuja sequência necessária para continuar a missão não funcionou. Em todos esses casos precisei recarregar o checkpoint.
O pior é quando o checkpoint coloca você novamente antes de um combate complicado. Você passa pela batalha inteira, chega na área seguinte, o jogo quebra e agora precisa matar todo mundo novamente apenas para torcer para que o script funcione na segunda tentativa. Isso é extremamente cansativo. Também encontrei problemas menores de animação e até uma situação em que meu personagem ficou preso na animação de pegar uma arma do chão.
O pior tipo de bug não é aquele engraçado que aparece por cinco segundos, mas aquele que faz você perder tempo porque simplesmente impede a campanha de continuar.
No PC também encontrei problemas de desempenho
Minha experiência aconteceu no PC e também encontrei quedas inesperadas de FPS e alguns pequenos congelamentos durante a campanha. Na minha jogatina os freezes aconteceram poucas vezes, mas estavam presentes, principalmente em momentos com bastante coisa acontecendo na tela.
Mesmo sendo uma equipe extremamente experiente trabalhando com Unreal, a The Coalition não conseguiu eliminar completamente alguns problemas técnicos. Isso não destruiu minha experiência, mas somado aos bugs de progressão reforçou a sensação de que
o jogo precisava de um pouco mais de tempo de polimento antes de chegar aos jogadores. Talvez atualizações posteriores resolvam grande parte disso, mas uma análise precisa considerar aquilo que eu realmente joguei e não aquilo que o jogo poderá se tornar meses depois.
Jogos precisam voltar a chegar prontos
Esse é um problema que ultrapassa E-Day. A indústria parece ter normalizado jogos chegando ao mercado dependendo de patch de primeiro dia e meses de atualizações para finalmente ficarem redondos. Existe uma diferença entre possuir alguns pequenos bugs e apresentar falhas que impedem a progressão diversas vezes durante uma única campanha.
Isso não deveria virar o normal. Ainda mais em uma produção desse tamanho e com uma equipe tão experiente quanto a The Coalition. Quando você possui uma franquia gigantesca como Gears, o mínimo esperado é que o jogador consiga terminar a campanha sem precisar reiniciar checkpoints porque um caminhão resolveu não se mexer ou uma porta deixou de funcionar.
O cooperativo online funcionou bem
Também tive a oportunidade de jogar uma parte da campanha em cooperativo online e nesse aspecto minha experiência foi positiva. Durante o período em que joguei com outra pessoa não encontrei problemas graves de sincronização ou desconexões e tudo funcionou normalmente. Minha experiência no cooperativo foi relativamente curta, então não vou fingir que testei dezenas de horas, mas durante aquilo que joguei
o online funcionou muito bem.
Uma coisa que senti falta na versão de PC que joguei foi do cooperativo local. Esse tipo de recurso desapareceu de muitos jogos atuais e acho uma pena. Durante anos, franquias como Halo e Gears foram jogos que você conseguia aproveitar no sofá com outra pessoa, cada jogador utilizando seu próprio controle. Hoje parece que essa experiência está desaparecendo cada vez mais e, para mim, isso é um retrocesso.
A trilha sonora cumpre seu papel
A trilha sonora também funciona. Não é algo que eu provavelmente colocaria no Spotify para ficar ouvindo separadamente e não possui aquele impacto absurdo de uma trilha como Doom, mas combina perfeitamente com a proposta. Ela ajuda a criar tensão durante os combates, funciona nos momentos cinematográficos e acompanha bem a atmosfera pesada da campanha.
Não foi um dos elementos que mais chamaram minha atenção, mas também não tenho nenhuma grande crítica. É uma trilha que faz aquilo que precisa fazer e combina com Gears.
Para mim, é o melhor Gears of War até hoje
Depois de terminar, essa foi a conclusão que mais me surpreendeu:
Gears of War: E-Day é, para mim, o melhor jogo da franquia. Prefiro ele ao primeiro, ao segundo, ao terceiro, claramente ao quarto, também ao Gears 5 e ao Judgment. Isso é algo bastante raro em franquias tão antigas, porque normalmente um novo jogo chega e imediatamente começam as comparações com aquele clássico que supostamente nunca será superado.
A The Coalition conseguiu pegar aquilo que funcionava nos jogos antigos, modernizar a movimentação, melhorar o combate e criar uma campanha que continua parecendo Gears. Não tentaram descaracterizar a franquia apenas para dizer que estavam fazendo algo novo.
E-Day evolui Gears sem deixar de ser Gears. Para mim, esse é justamente o maior mérito da The Coalition.
Veredito
No estado em que joguei, minha nota para Gears of War: E-Day é
8/10, e praticamente tudo que impede essa nota de ser maior está relacionado aos problemas técnicos. Se você estiver lendo essa análise depois de atualizações que corrigiram os soft locks, animações quebradas e outros problemas de progressão que encontrei, pode considerar minha avaliação mais próxima de um
9/10.
Não daria 10 porque, para mim, 10 é aquele jogo excepcional que faz você perder o sono querendo voltar imediatamente, mas E-Day chegou bastante perto de ser uma experiência excelente. A gameplay está melhor do que nunca, a movimentação é excelente, a violência continua intacta, as atividades no estilo Horda ajudam bastante no ritmo e as modificações de armas e habilidades adicionam variedade sem destruir a fórmula. E principalmente: é divertido.
Entre os lançamentos que joguei em 2026, é facilmente um dos que mais gostei.
Se a The Coalition corrigir os problemas técnicos, Gears of War: E-Day tem tudo para ser lembrado como um dos melhores trabalhos já realizados com a franquia. Para mim, já é o melhor Gears. Só precisava ter chegado mais polido.