Uma Nação Sob Medo

Um grupo de pesquisadores tenta desenvolver uma fórmula de imortalidade, mas o experimento gera uma série de mutações grotescas. Enquanto uma epidemia se espalha, acompanhamos um protagonista misteriosamente presente em praticamente todos os eventos importantes, frequentemente encontrado ao lado de vítimas inconscientes e, por alguma razão, com o zíper aberto.

Existem filmes ruins. Existem filmes muito ruins. E existe essa produção. Uma obra que tenta misturar Resident Evil, ficção científica, mutações genéticas, drama familiar, ação policial, super-heróis e uma epidemia global, tudo isso dentro de um laboratório cuja arquitetura parece mudar de forma a cada cena. O resultado é uma experiência única. E não necessariamente pelos motivos que o criador imaginava. [subtitulo] Uma história que desafia a lógica [/subtitulo] A premissa até parece interessante. Um grupo de cientistas tenta desenvolver uma fórmula de imortalidade, mas o experimento sai do controle e gera uma série de mutações grotescas. A partir daí acompanhamos cientistas, policiais, entregadores, sobreviventes e criaturas mutantes tentando lidar com uma epidemia que rapidamente foge de controle. O problema é que a narrativa parece ignorar qualquer tipo de regra interna. Personagens mudam de personalidade constantemente. Ganham habilidades sem explicação. Sobrevivem a situações impossíveis. E tomam decisões tão absurdas que frequentemente parecem ter sido escritas minutos antes da gravação. [destaque] A sensação constante é de que o roteiro vai sendo inventado conforme as cenas acontecem. [/destaque] [subtitulo] O laboratório mais misterioso da história [/subtitulo] Existe um elemento quase sobrenatural na produção. Não estou falando dos mutantes. Estou falando do laboratório. Em alguns momentos ele parece gigantesco. Em outros parece um corredor de hospital. Às vezes possui dezenas de salas. Às vezes parece caber dentro de uma garagem. A estrutura muda tanto durante o filme que em determinado momento comecei a acreditar que o verdadeiro experimento era o próprio prédio. [subtitulo] Personagens que obedecem apenas ao roteiro [/subtitulo] Outro problema sério está nos personagens. A inteligência deles varia de acordo com a necessidade da cena. Um cientista brilhante pode agir como um completo incompetente segundos depois. Um policial pode ignorar evidências óbvias. Um entregador pode se transformar praticamente em especialista em bioengenharia. Nada parece seguir uma lógica consistente. E existe ainda o protagonista. Um indivíduo misteriosamente presente em praticamente todos os eventos importantes da trama. Sempre perto das vítimas. Sempre sobrevivendo. Sempre aparecendo quando algo importante acontece. Coincidência? Provavelmente. Mas o filme não ajuda a afastar suspeitas. [subtitulo] Os mutantes são quase super-heróis [/subtitulo] A escala de poder também é completamente inconsistente. Temos personagens capazes de: • Saltar dezenas de metros • Sobreviver a ferimentos absurdos • Demonstrar força sobre-humana • Desenvolver poderes sem explicação Mas que eventualmente são derrotados por situações extremamente simples. Existe um antagonista que realiza feitos dignos de um super-herói e depois encontra seu fim de forma quase banal. A suspensão de descrença simplesmente abandona o espectador e vai embora. [destaque] O filme parece esquecer constantemente as próprias regras que criou. [/destaque] [subtitulo] A verdadeira estrela é a IA [/subtitulo] Mas aqui está o detalhe importante. Separando a qualidade do roteiro, existe algo admirável nessa produção. A dedicação. Se realmente foram necessários anos utilizando uma IA antiga que gerava apenas alguns segundos de vídeo por vez, estamos diante de um projeto construído com uma persistência impressionante. É impossível não respeitar o esforço envolvido. Talvez o maior mérito do filme seja justamente provar até onde alguém pode levar uma ideia quando se recusa a desistir dela. [subtitulo] Diversão pelos motivos errados [/subtitulo] Existe uma categoria específica de obras que falham como produções sérias, mas se tornam extremamente divertidas por causa dos seus erros. É exatamente o caso aqui. Mudanças de visual. Incoerências absurdas. Poderes aleatórios. Personagens surgindo do nada. Cenas que desafiam qualquer explicação racional. Tudo isso cria uma experiência involuntariamente cômica. Em vários momentos eu não sabia se estava assistindo um filme de terror biológico ou uma paródia criada por alguém que assistiu Resident Evil depois de passar três dias sem dormir. E sinceramente? Foi divertido. [subtitulo] Veredito Final [/subtitulo] Como filme sério, a produção falha em praticamente todos os aspectos fundamentais. O roteiro é confuso. Os personagens não possuem consistência. As regras do universo mudam constantemente. E a narrativa frequentemente parece abandonar qualquer lógica interna. Por outro lado, existe uma ambição admirável por trás do projeto. Existe esforço. Existe paixão. E existe um valor de entretenimento involuntário que acaba transformando a experiência em algo memorável. Não necessariamente um bom filme. Mas certamente um filme que você não esquece. [destaque] Uma mistura improvável entre Resident Evil, Mutantes da Record e os limites da tecnologia de IA. Como drama funciona pouco. Como trash cult para assistir com amigos e rir das incoerências, funciona muito mais do que deveria. [/destaque] Prós • Dedicação impressionante do criador • Ambição acima da média • Algumas ideias interessantes • Valor cômico involuntário altíssimo • Experiência única Contras • Roteiro extremamente inconsistente • Personagens mal desenvolvidos • Falta de regras internas • Problemas graves de continuidade • Pouca coerência narrativa Nota Final Como filme sério: 2,5/10 Como trash cult para assistir com amigos: 8/10