Capcom diz que Japão e Ocidente tiveram opiniões “diametralmente opostas” sobre Dragon’s Dogma 2

Desenvolvedores descobriram que mecânicas consideradas inconvenientes por parte do público asiático eram vistas como elementos interessantes de “fricção” por jogadores ocidentais, influenciando diretamente as mudanças de Dark Arisen

Capcom diz que Japão e Ocidente tiveram opiniões “diametralmente opostas” sobre Dragon’s Dogma 2
NOTÍCIA GAMER
Escrita por Felipe 02/09/2026, 14:45

A Capcom enfrentou um problema curioso ao analisar a recepção de Dragon’s Dogma 2: jogadores de diferentes regiões do mundo não concordavam sobre algumas das mecânicas mais controversas do RPG.

Segundo os desenvolvedores, o feedback recebido chegou a ser “diametralmente oposto” em determinados aspectos. Sistemas que incomodavam jogadores japoneses e asiáticos podiam ser justamente aquilo que parte do público da Europa e América do Norte considerava especial na experiência.

Essa diferença ajudou a determinar uma filosofia importante para Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen: em vez de simplesmente remover tudo aquilo que provocou reclamações, a Capcom está procurando oferecer mais opções para que cada jogador escolha como deseja experimentar o jogo. A própria companhia afirma oficialmente que a expansão foi desenvolvida levando em consideração a ampla variedade de feedback recebido desde o lançamento do título original.

💬 A solução encontrada pela Capcom não foi simplesmente eliminar as mecânicas controversas de Dragon’s Dogma 2, mas oferecer alternativas para quem não gosta delas sem necessariamente retirar a “fricção” valorizada por outros jogadores.

O mesmo problema era defeito para uns e qualidade para outros

Dragon’s Dogma 2 sempre foi um jogo bastante diferente de outros RPGs modernos. Algumas conveniências que se tornaram praticamente padrão no gênero foram propositalmente limitadas pela Capcom.

Viajar grandes distâncias a pé é um dos melhores exemplos.

Enquanto parte dos jogadores considerava cansativo atravessar repetidamente determinadas regiões, outros enxergavam justamente nessas jornadas uma característica importante da experiência: sair de uma cidade e chegar ao destino fazia parte da aventura.

O diretor de Dark Arisen, Kento Kinoshita, explicou que a Capcom não quer retirar essa possibilidade. Para quem gosta de explorar a pé, a experiência continua disponível. Para quem começa a ficar cansado de repetir os mesmos trajetos, agora existem alternativas.

A ideia é permitir que jogadores reduzam determinadas inconveniências sem obrigar todo mundo a jogar uma versão mais simplificada de Dragon’s Dogma 2.

Viagem rápida é um ótimo exemplo dessa nova filosofia

Uma das mudanças mais significativas foi a introdução da Eternal Ferrystone, que permite utilizar viagem rápida com muito mais liberdade.

Isso poderia parecer uma contradição para um jogo originalmente construído ao redor de deslocamentos deliberadamente trabalhosos.

Mas a explicação dos desenvolvedores é justamente essa: a exploração tradicional continua existindo.

Quem gosta de atravessar o mapa caminhando pode continuar fazendo isso. Quem já realizou determinado percurso várias vezes e simplesmente quer chegar ao destino mais rapidamente agora possui uma alternativa.

Segundo o produtor Naoto Oyama, o objetivo é oferecer uma maneira mais casual de jogar sem comprometer aquilo que a equipe considera a diversão central do jogo original.

Dragonsplague também dividiu bastante os jogadores

Poucas mecânicas de Dragon’s Dogma 2 provocaram tanta discussão quanto a Dragonsplague.

A doença pode afetar os Pawns e, caso o jogador não perceba os sintomas, produzir consequências extremamente graves. Desde o lançamento, a Capcom recebeu muitas opiniões diferentes sobre o sistema.

Dark Arisen e as atualizações do jogo estão tentando tornar essa mecânica mais compreensível sem simplesmente apagar seu conceito.

A Capcom explicou que Pawns infectados já recebiam benefícios em seus atributos, mas isso não era comunicado claramente ao jogador. As mudanças tornam essa relação de risco e recompensa mais evidente e também oferecem novas maneiras de lidar com a doença.

Em vez de simplesmente remover Dragonsplague porque parte da comunidade não gostou da mecânica, a Capcom está tentando dar ao jogador mais informações e ferramentas para decidir como lidar com ela.

Capcom não quer transformar Dragon’s Dogma em outro RPG genérico

Essa talvez seja a parte mais interessante dessa discussão.

Muitas das reclamações feitas contra Dragon’s Dogma 2 estão relacionadas justamente às características que tornam o jogo diferente de outros RPGs de mundo aberto.

Viagem limitada, consequências inesperadas, sistemas pouco explicados e necessidade de planejamento podem frustrar jogadores. Ao mesmo tempo, retirar completamente essas características poderia fazer Dragon’s Dogma perder parte de sua identidade.

A solução encontrada pela Capcom parece ser personalização através de opções.

Em vez de determinar que todos precisam aceitar determinada inconveniência ou remover completamente a mecânica para todos, o estúdio oferece ferramentas que permitem diferentes estilos de jogo.

💬 Dark Arisen parece seguir uma filosofia de “você decide quanto atrito deseja enfrentar”, preservando sistemas do jogo original enquanto oferece alternativas para quem prefere uma experiência mais conveniente.

Até a aparência dos equipamentos ganha mais liberdade

Outro exemplo dessa preocupação é a ampliação das opções de personalização.

Dark Arisen traz novas maneiras de personalizar os personagens, enquanto as atualizações e a expansão procuram oferecer mais liberdade para que o jogador monte sua experiência sem necessariamente ficar preso a decisões puramente funcionais.

A expansão também adicionará novas habilidades para as vocações, uma nova região chamada Norgan e 12 novos desafios de masmorras espalhados pelo mundo existente. O anúncio oficial ainda confirmou novos penteados e opções de tatuagem.

Dark Arisen nasce diretamente do feedback de Dragon’s Dogma 2

A própria Capcom reconhece oficialmente que a expansão está sendo construída levando em consideração a grande variedade de opiniões recebidas depois do lançamento de Dragon’s Dogma 2 em março de 2024.

Segundo a empresa, o objetivo é aumentar a acessibilidade e adicionar conteúdo capaz de atender tanto aos fãs existentes quanto a pessoas experimentando Dragon’s Dogma pela primeira vez.

Isso ajuda a explicar por que simplesmente atender a todas as reclamações não seria uma solução tão simples.

Se uma parte do público diz “isso é inconveniente” enquanto outra responde “é justamente por isso que eu gosto do jogo”, qualquer mudança obrigatória inevitavelmente desagradaria alguém.

Dar escolha ao jogador pode ser uma saída muito mais equilibrada.

Dark Arisen chega em outubro

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen será lançado em 9 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC como uma expansão paga. O lançamento também marcará a chegada de Dragon’s Dogma 2 ao Nintendo Switch 2, onde jogo base e expansão estarão reunidos em um único pacote.

A Capcom revelou ainda que a série Dragon’s Dogma já ultrapassou 14 milhões de unidades vendidas considerando seus diferentes títulos até 31 de março de 2026.

Trailer do YouTube

Minha opinião

Para mim, essa é provavelmente a melhor maneira de resolver o problema.

Dragon’s Dogma 2 tem várias coisas que podem ser irritantes, mas existe uma diferença enorme entre corrigir algo que funciona mal e retirar propositalmente uma mecânica que foi criada para incomodar o jogador e fazê-lo pensar de outra maneira.

Se parte dos jogadores gosta de viajar a pé porque isso transforma cada deslocamento em uma aventura, mantenha essa possibilidade. Se outra pessoa já atravessou aquele caminho dez vezes e não aguenta mais, deixe ela utilizar viagem rápida.

O mais curioso é descobrir que essa percepção aparentemente muda bastante dependendo da região. Aquilo que um público considera inconveniência pode ser justamente aquilo que outro público considera personalidade.

💬 Talvez a maior lição que a Capcom tenha tirado de Dragon’s Dogma 2 seja que nem toda “frustração” precisa ser corrigida. Algumas precisam apenas de uma alternativa para quem não quer enfrentá-las.

FONTES CONSULTADAS