Chuva de ports para PC! Driveclub, Bloodborne, Uncharted, Killzone e mais clássicos ganham vida fora dos consoles
Comunidade surpreende com uma sequência de projetos que levam antigos exclusivos de PlayStation, Xbox e Nintendo ao PC, incluindo melhorias gráficas, FPS desbloqueados e novas funcionalidades.
Uma verdadeira enxurrada de projetos comunitários está movimentando o cenário de preservação dos videogames. Entre os dias 15 e 16 de outubro de 2026, diversos clássicos originalmente lançados para PlayStation, Xbox e Nintendo receberam novidades envolvendo ports nativos, recompilações, camadas de compatibilidade e modificações para PC. Entre os destaques estão Driveclub, Bloodborne, Killzone Shadow Fall, Uncharted: The Nathan Drake Collection, Gran Turismo Sport e até Super Mario Bros. Wonder.
As novidades foram reunidas em uma sequência de publicações do portal PC Master Race Latinoamérica, mas os projetos possuem desenvolvedores independentes e diferentes níveis de funcionamento. Enquanto alguns já permitem disputar corridas ou avançar por campanhas inteiras, outros ainda estão nas primeiras fases de testes, apresentando problemas gráficos, desempenho instável e limitações de compatibilidade.
Exclusivos de PlayStation estão chegando ao PC pelas mãos da comunidade
Driveclub é um dos casos mais interessantes. O jogo de corrida da Evolution Studios possui diferentes iniciativas comunitárias, incluindo o DCport, que executa o código original de PS4 em processadores de PC enquanto traduz as operações gráficas para Vulkan. O projeto oferece versões com AMD FSR, configurações de taxa de quadros e suporte a teclado e controles. Outra iniciativa, baseada em uma versão modificada do shadPS4, também apresenta melhorias de desempenho e compatibilidade com telas ultrawide. As demonstrações de resoluções elevadas chamaram atenção, mas a disponibilidade dessas configurações não significa desempenho garantido em qualquer computador.
Bloodborne continua recebendo avanços importantes. O modder fromsoftserve divulgou a versão 1.10 de seu projeto Bloodborne PC Remaster, apresentando melhorias em iluminação, sombras, texturas e materiais. A atualização foi demonstrada em conjunto com o Bloodborne Launcher, desenvolvido pela comunidade, que incorpora opções como DLSS, resoluções personalizadas e funcionalidades online. Embora o jogo já possa ser executado no Windows por diferentes métodos comunitários, ainda não existe um port oficial da Sony.
Killzone Shadow Fall também recebeu uma adaptação experimental para Windows. Desenvolvido por lesca-191204, o projeto utiliza execução direta do código original do jogo na CPU e tradução gráfica para Vulkan. Segundo seu criador, a campanha completa já pode ser percorrida, com suporte a teclado e mouse, controles, AMD FSR 1 e diferentes configurações de resolução. Entretanto, ainda existem problemas de compilação de shaders, travamentos e possíveis falhas gráficas.
Uncharted: The Nathan Drake Collection representa outro avanço expressivo. O desenvolvedor SuperMedo publicou um projeto que permite executar as três primeiras aventuras de Nathan Drake no Windows. O launcher reúne Uncharted: Drake's Fortune, Uncharted 2: Among Thieves e Uncharted 3: Drake's Deception, oferecendo configurações de até 120 FPS, além de tecnologias como NVIDIA DLSS, AMD FSR e geração de quadros. As taxas mais elevadas continuam experimentais, mas o trabalho representa uma alternativa inédita para jogar a trilogia clássica diretamente no PC.
Gran Turismo Sport entrou na lista com o RyGT, projeto que converte o executável original de PS4 para execução no Windows e utiliza um renderizador Vulkan derivado do shadPS4. Menus, seleção de veículos e corridas já funcionam, com suporte a controles e geração de quadros por AMD FSR 3.1. O desenvolvedor relata desempenho próximo de 42 a 60 FPS dependendo da quantidade de carros e das condições da corrida, mas as funcionalidades online não são suportadas.
Outros três exclusivos também merecem atenção. inFAMOUS Second Son recebeu um port experimental para Windows e Linux, capaz de executar os primeiros capítulos, embora ainda apresente problemas gráficos e desempenho em torno de 20 a 30 FPS em testes com uma RTX 2060. The Last Guardian já apresenta jogabilidade, áudio, salvamento e suporte a teclado no Linux, com opções experimentais de 60 FPS, enquanto a versão para Windows ainda precisa de testes mais amplos. Já The Order: 1886 ganhou uma adaptação para Windows com suporte a controles, teclado e configurações ultrawide, mas a campanha completa ainda não foi validada.
Xbox também entra na onda com Forza Motorsport 5, UFC 3 e Tekken 6
O movimento não está limitado aos jogos da Sony. Forza Motorsport 5, originalmente exclusivo do Xbox One, recebeu o projeto RaceOneHub, criado por LoZazaMastro. A ferramenta utiliza uma camada de compatibilidade derivada de Azimuth para preparar uma versão executável no Windows, oferecendo configurações que chegam a 8K, opções de 30, 60 e 120 FPS e diferentes perfis gráficos. O suporte a essas opções não garante que todas as taxas sejam atingidas durante as corridas.
EA Sports UFC 3 também ganhou um port comunitário para Windows e Linux, desenvolvido por GNSB. Utilizando tecnologias derivadas dos trabalhos realizados com Bloodborne, o projeto consegue executar combates, menus e o modo Carreira, com opções de FPS desbloqueado e renderização por Vulkan. Os desenvolvedores ainda trabalham em problemas de estabilidade, efeitos gráficos e otimizações de desempenho.
Já Tekken 6 recebeu uma adaptação experimental da versão de Xbox 360 para Windows, criada por Ekspym. O projeto Tekken 6 Native Online utiliza recompilação e incorpora partidas online com rollback netcode, sistema que pode reduzir os efeitos da latência durante os confrontos. A versão inicial continua em testes e não deve ser confundida com o projeto separado que adiciona rollback à versão de PlayStation 3 executada pelo RPCS3.
Outro clássico de Xbox 360 que merece destaque é Earthworm Jim HD. A versão originalmente distribuída pelo Xbox Live Arcade ganhou um projeto de recompilação estática desenvolvido por TekRantGaming, utilizando ReXGlue. A adaptação apresenta suporte a Windows, Linux e Steam Deck, com opções de resoluções elevadas, taxas de quadros configuráveis e um launcher dedicado.
Até Super Mario Bros. Wonder está sendo recompilado para PC
A Nintendo também aparece nesse movimento. O desenvolvedor BelmanteGu disponibilizou o código-fonte de SuperMarioWonderRecomp, projeto que utiliza recompilação estática para converter o código original de Nintendo Switch em uma versão executável em Windows, macOS e Android, com renderização por Vulkan.
O avanço é significativo, mas Super Mario Bros. Wonder ainda não está completamente funcional nesse projeto. Segundo a documentação, menus, mapa e a primeira fase já apresentam resultados positivos, incluindo demonstrações a 60 FPS, mas ainda existem falhas gráficas e problemas de desempenho. O repositório também não distribui executáveis prontos, exigindo que os usuários compilem sua própria versão utilizando os arquivos legalmente obtidos do jogo.
Ports nativos não significam jogos oficialmente lançados ou completamente finalizados
Embora a quantidade de novidades impressione, é importante diferenciar as tecnologias envolvidas. Alguns projetos utilizam recompilação estática, convertendo antecipadamente o código original para execução em outra arquitetura. Outros aproveitam o fato de PlayStation 4 e computadores modernos compartilharem a arquitetura x86-64, executando diretamente parte do código enquanto substituem serviços do console e traduzem operações gráficas. Existem ainda soluções baseadas em emuladores modificados e camadas de compatibilidade.
Também é importante destacar que os repositórios normalmente não incluem os jogos originais. Para executar essas adaptações, os usuários precisam fornecer seus próprios arquivos compatíveis. Além disso, a existência de um repositório público ou de uma demonstração não comprova que todos os recursos anunciados funcionem perfeitamente.
O cenário, entretanto, demonstra como a comunidade está ampliando as possibilidades de preservação dos videogames. Jogos que nunca receberam versões oficiais para computadores agora começam a conquistar uma segunda vida, muitas vezes acompanhados de funcionalidades que não existiam nos consoles originais. O próximo desafio será transformar essas conquistas técnicas em experiências estáveis, acessíveis e completas para os jogadores.