Chuva de recompilações! Zelda, 007 Nightfire, Forza 4, Metroid Prime 2 e outros clássicos avançam no PC
Comunidade apresenta novos projetos para Windows, Linux e outros sistemas, com recompilações de Nintendo Switch, PlayStation 2, Xbox e Xbox 360.
A comunidade de preservação dos videogames continua movimentando o final de outubro de 2026. Entre as novidades que apareceram no catálogo The Gaming Emporium, mantido pelo perfil @McGroin83, estão projetos envolvendo The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, 007: Nightfire, Zone of the Enders, Forza Motorsport 4, Metroid Prime 2: Echoes e Shin Megami Tensei IV.
As iniciativas utilizam recompilação estática, descompilação ou adaptações de motores gráficos para levar jogos originalmente associados aos consoles a computadores modernos. Algumas já possuem versões públicas, com recursos como widescreen, controles atualizados e resoluções superiores, enquanto outras permanecem experimentais.
Zelda: Tears of the Kingdom recebe recompilação para Windows
Uma das novidades mais importantes é o TotK Recomp, projeto desenvolvido por valentderah que transforma o código ARM64 de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, originalmente lançado para Nintendo Switch em 2023, em um executável para Windows.
A versão beta 0.1.1 utiliza renderização Vulkan e oferece suporte a teclado, mouse, controles, giroscópio e configurações personalizadas de resolução. O desenvolvedor informa que o jogo funciona a 60 FPS por padrão, com possibilidade experimental de alcançar taxas de até 144 FPS, dependendo do equipamento.
Entretanto, o projeto ainda apresenta travamentos, falhas gráficas e problemas de compatibilidade. Relatos publicados no GitHub mostram usuários enfrentando desde sombras incorretas até dificuldades para iniciar o jogo. Portanto, não se trata de uma adaptação completamente estável.
A principal diferença em relação à emulação tradicional é que o código do jogo é convertido antecipadamente para execução no computador, enquanto um sistema próprio substitui diversos serviços originalmente fornecidos pelo Switch.
007: Nightfire ganha novo port com mouse, ultrawide e conquistas
Outro clássico que ganhou atenção é 007: Nightfire, lançado em 2002. O desenvolvedor hk21x publicou o NightFire XBE Recomp, projeto que adapta a versão original de Xbox para Windows utilizando recompilação estática.
Entre os recursos implementados estão mira com mouse, teclado configurável, widescreen, ultrawide, ajustes de campo de visão, efeitos gráficos e 19 conquistas. O projeto também recompila separadamente os executáveis responsáveis pelas missões a pé e pelas sequências de veículos.
Segundo a documentação, menus, salvamentos, tiroteios e missões de direção já funcionam. Entretanto, ainda não existe confirmação independente de que toda a campanha possa ser concluída sem problemas. O projeto recebeu suas primeiras versões públicas em 30 de outubro.
Zone of the Enders retorna com 60 FPS e modo Versus
O clássico Zone of the Enders, lançado pela Konami para PlayStation 2 em 2001, também ganhou um projeto de recompilação estática para PC.
Desenvolvido por Yaz-Myst, o ZOE-Recompiled utiliza PS2Recomp para converter o código MIPS original em C++, acompanhado de uma camada de execução que adapta os recursos do console para Windows.
O responsável afirma que toda a aventura já pode ser percorrida da introdução até a área final, incluindo vídeos, salvamentos e o modo Versus para dois jogadores. Também existem opções de widescreen, resolução interna superior e execução a 60 FPS.
Apesar do progresso, o desenvolvedor ainda relata travamentos ocasionais, problemas de interface e limitações na navegação dos menus com controles.
Forza Motorsport 4 recebe melhorias modernas no PC
Forza Motorsport 4, exclusivo lançado para Xbox 360 em 2011, também continua ganhando novas alternativas de execução no Windows.
O FM4 Static Recomp, desenvolvido por i2kiselev, utiliza o ShiftGlue para converter antecipadamente o código PowerPC original e oferecer renderização Vulkan. O projeto já demonstra corridas em resoluções como 1440p e 4K, com taxas de quadros superiores às disponíveis no console original.
A iniciativa inclui um launcher próprio, compatibilidade com diferentes edições do jogo, conteúdos adicionais e suporte a controles. Entretanto, volantes com force feedback, algumas melhorias gráficas e a compatibilidade com diferentes versões do disco ainda estão sendo trabalhados.
Também existem outras recompilações independentes de Forza Motorsport 4. Por isso, as funcionalidades de uma versão não devem ser atribuídas automaticamente às demais.
Metroid Prime 2 e Shin Megami Tensei IV ampliam a lista
Metroid Prime 2: Echoes apareceu entre as novidades com o projeto Echoes Unbound, desenvolvido por Odrannnn. A iniciativa busca adaptar o clássico de GameCube a sistemas modernos, incluindo Windows, Linux, macOS e Android, utilizando o trabalho de descompilação da comunidade. O projeto recebeu uma atualização de versão em 29 de outubro, mas ainda precisa de testes adicionais para determinar sua estabilidade em diferentes dispositivos.
Já Shin Megami Tensei IV, originalmente lançado para Nintendo 3DS, possui uma recompilação para Windows desenvolvida por Invictus-potens. O projeto utiliza 3dsrecomp e o ambiente Zakuro, oferecendo widescreen 16:9 e 21:9, controles modernos e modificações opcionais de progressão.
Segundo o desenvolvedor, foram realizadas mais de dez horas de testes sem travamentos a partir de um novo jogo. Entretanto, a campanha inteira ainda não foi validada. Além disso, a opção de 60 FPS acelera a lógica do jogo, portanto não representa uma melhoria de fluidez sem consequências.
Outros projetos também ganharam destaque
A lista recente inclui ainda uma adaptação de Mario Kart DS que utiliza recompilação estática, novas iniciativas relacionadas a Burnout 3: Takedown e um projeto de Sonic Dream Team para PC.
No caso de Burnout 3, diferentes desenvolvedores estão trabalhando em adaptações separadas, incluindo versões experimentais para Windows e recompilações da edição original de Xbox. Já os projetos de Nintendo DS apresentam abordagens diferentes para reconstruir a execução do hardware original.
Essas iniciativas reforçam a necessidade de diferenciar recompilação, descompilação e emulação modificada. Nem todo programa anunciado como port nativo utiliza a mesma técnica, e a presença de um repositório público não garante que toda a campanha esteja funcional.
As adaptações também costumam exigir os próprios arquivos dos jogos originais. Os repositórios consultados não distribuem as obras comerciais completas e não possuem vínculo oficial com Nintendo, Sony, Microsoft, Konami ou outras fabricantes.
O movimento demonstra que a preservação de videogames continua avançando rapidamente, especialmente entre jogos que nunca receberam versões oficiais para computadores ou permaneceram limitados a consoles antigos. A grande questão agora é saber quantos desses projetos conseguirão evoluir de demonstrações técnicas para experiências realmente estáveis.