Criador de Disgaea critica fim das mídias físicas e dispara: "Se a PlayStation abandonar os discos, pode abandonar o console também"

Sohei Niikawa afirma que executivos não entendem o valor emocional das edições físicas e questiona a própria existência do hardware em um futuro totalmente digital.

Criador de Disgaea critica fim das mídias físicas e dispara: "Se a PlayStation abandonar os discos, pode abandonar o console também"
PLAYSTATION
Escrita por Luts 22/07/2026, 16:34
💬 O criador de Disgaea, Sohei Niikawa, fez uma das críticas mais duras já vistas contra o futuro exclusivamente digital da PlayStation. Segundo o veterano desenvolvedor japonês, se a Sony pretende eliminar completamente os jogos físicos, talvez nem faça mais sentido continuar produzindo consoles.

Durante uma entrevista concedida ao portal Noisy Pixel na Anime Expo 2026, Niikawa comentou os planos da Sony de encerrar a produção de jogos físicos para PlayStation a partir de 2028.

Embora tenha reconhecido que a decisão pode fazer sentido do ponto de vista corporativo, o criador da franquia Disgaea acredita que os executivos responsáveis pela medida estão ignorando algo que vai muito além das planilhas financeiras: a conexão emocional entre jogadores e suas coleções físicas.

"Jogos físicos têm significado para os fãs"

Segundo Niikawa, uma edição física não é apenas um meio de acesso ao jogo, mas também uma lembrança permanente da experiência vivida pelo jogador.

"Para os fãs, poder guardar um jogo que amam como um objeto tem muito valor. Ele se torna uma memória, uma recordação ligada a algo importante para eles."

O desenvolvedor destacou situações comuns em eventos como a Anime Expo, onde fãs levam caixas de jogos para conseguir autógrafos de criadores, transformando aquele produto em um item único e pessoal.

Após serem assinados, esses jogos passam a ocupar um lugar de destaque nas estantes dos jogadores, funcionando como uma lembrança física de um momento especial.

Executivos não entendem o lado dos fãs, diz desenvolvedor

Niikawa foi além ao sugerir que os responsáveis pela decisão dentro da Sony talvez nunca tenham vivenciado esse contato direto com a comunidade.

Segundo ele, muitos executivos enxergam apenas os números do negócio e não compreendem o significado cultural e sentimental que as mídias físicas possuem para parte do público.

"Os executivos que tomaram essa decisão provavelmente nunca participaram de um evento como a Anime Expo e tiveram alguém se aproximando com um jogo físico pedindo um autógrafo."

Para o criador de Disgaea, isso faz com que determinadas lideranças acabem subestimando o valor que coleções físicas ainda possuem para milhões de jogadores ao redor do mundo.

"Então acabem com o hardware também"

Foi então que Niikawa fez a declaração que mais chamou atenção durante a entrevista.

💬 "Se eles vão eliminar as embalagens físicas, então podem eliminar o hardware também. Uma televisão já seria suficiente. Por que você precisaria do console? Se vão se livrar dos jogos físicos, podem ir até o fim."

A fala reflete uma preocupação cada vez mais comum entre críticos do modelo exclusivamente digital: a ideia de que consoles podem gradualmente perder sua identidade e se transformar apenas em terminais de acesso para serviços digitais e streaming.

Debate continua crescendo na indústria

As declarações chegam em um momento particularmente delicado para a Sony, que vem enfrentando forte repercussão após anunciar o encerramento da produção de jogos físicos para PlayStation a partir de 2028.

Nos últimos meses, desenvolvedores, colecionadores, jornalistas e grupos de preservação de jogos têm manifestado preocupação sobre temas como propriedade digital, preservação histórica, concorrência nas lojas digitais e direitos dos consumidores.

Enquanto a Sony argumenta que a mudança acompanha as novas preferências do mercado, críticos afirmam que o desaparecimento dos discos pode reduzir opções para os consumidores e concentrar ainda mais o poder de distribuição nas lojas digitais proprietárias.

💬 Para Niikawa, porém, a questão é simples: jogos físicos não são apenas produtos. Eles também são lembranças, colecionáveis e uma ponte direta entre criadores e fãs — algo que nenhuma licença digital consegue reproduzir completamente.