Cyberleek provoca Rockstar e Sony em novo vazamento de GTA 6 e diz que discussão é sobre “propriedade”
Novo clipe mostra Jason dentro de uma loja que vende jogos físicos, enquanto responsável pelos vazamentos volta a defender o direito de revenda dos jogadores
A sequência de vazamentos envolvendo GTA 6 ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (25). O responsável conhecido como Cyberleek divulgou outro suposto gameplay do jogo e aproveitou o próprio cenário apresentado no vídeo para provocar a Rockstar Games e também a Sony.
O clipe mostra Jason entrando em uma loja de videogames, onde aparecem jogos físicos, produtos eletrônicos, sistemas de troca e referências ao aluguel de games. Uma placa no estabelecimento anuncia ainda “jogos e filmes ex-aluguel à venda”. O material foi reportado nesta terça-feira pelo Voxel.
Cyberleek afirma agora que sua campanha não é simplesmente sobre manter discos físicos, mas sobre propriedade e o direito dos consumidores de revender aquilo que compraram.
GTA 6 tem sua própria paródia do PlayStation
Outro detalhe curioso encontrado na loja é um console chamado JS8, ou JoySystem 8.
O aparelho funciona como uma paródia dos consoles PlayStation dentro do universo de GTA, apresentando elementos visuais que remetem ao hardware da Sony. A referência ganhou ainda mais atenção justamente porque Cyberleek vem utilizando seus vazamentos para criticar o avanço das vendas exclusivamente digitais.
“Isso não é sobre discos”
Cyberleek também adicionou uma nova mensagem ao material. Desta vez, o responsável tenta esclarecer a motivação de sua campanha.
Segundo a mensagem, “isso não é sobre discos. Isso é sobre propriedade”, acrescentando que o direito de revenda continua importante mesmo em uma era exclusivamente digital.
O discurso amplia um pouco a posição apresentada nos vazamentos anteriores. Cyberleek já havia criticado pré-vendas digitais, conteúdos vendidos separadamente e jogos que podem perder funcionalidades após o encerramento de servidores.
Contexto da situação
Os vazamentos começaram em 18 de agosto e diferentes vídeos atribuídos a Cyberleek vêm sendo publicados desde então. Veículos como PC Gamer, The Verge e GamesRadar reportaram que os materiais apresentam fortes indícios de autenticidade, enquanto conteúdos publicados online também foram alvo de remoções relacionadas a direitos autorais.
Por outro lado, é importante separar a discussão sobre preservação das ações de Cyberleek.
O responsável pelos vazamentos também vem promovendo uma criptomoeda, o que levantou questionamentos sobre suas reais motivações. Além disso, o movimento Stop Killing Games já se distanciou das ações do grupo, afirmando que métodos ilegais não são aceitáveis para defender a preservação dos jogos.
O que muda para o jogador?
O vídeo não confirma nenhuma mudança na política comercial de GTA 6. Na prática, seu principal impacto é reacender uma discussão que vem crescendo na indústria: quando um consumidor compra um jogo digital, até onde vai seu direito de propriedade sobre aquele produto?
Uma mídia física pode tradicionalmente ser emprestada, revendida ou comprada usada. Nas lojas digitais, essas possibilidades geralmente desaparecem, deixando a licença vinculada à conta do usuário.
É justamente essa diferença que Cyberleek tenta colocar no centro da discussão com o novo vídeo.
Minha opinião
A coincidência de GTA 6 possuir uma loja de games físicos dentro de seu próprio mundo tornou esse vazamento particularmente simbólico para a campanha de Cyberleek.
E existe uma discussão legítima sobre propriedade digital, preservação e direito de revenda que provavelmente ficará cada vez mais importante conforme a indústria abandona produtos físicos.
Isso, porém, não transforma vazamentos ou invasões em métodos justificáveis. É perfeitamente possível discutir direitos dos consumidores sem prejudicar desenvolvedores ou divulgar material obtido sem autorização.
Cyberleek continua prometendo novos vazamentos, enquanto Rockstar e Take-Two ainda não fizeram um pronunciamento público detalhado sobre a origem dos materiais.
Fontes: Voxel/TecMundo, PC Gamer, The Verge e GamesRadar.