Caso Eduardo Martins volta ao debate após documentário da Record
Produção revisita a fraude de identidade e as fotografias apropriadas em 2017; a identificação apresentada pela emissora não equivale a decisão judicial.
O caso do falso fotógrafo de guerra Eduardo Martins voltou aos holofotes após um documentário publicado recentemente pela Record. Quase nove anos depois da fraude ganhar repercussão mundial, a emissora afirma ter identificado quem estaria por trás de um dos personagens mais misteriosos da internet.
A linha do tempo da fraude
-> 2014 Surge o perfil de Eduardo Martins.
O personagem se apresenta como fotógrafo brasileiro especializado em guerras e missões humanitárias.
-> 2015–2017
O perfil ultrapassa 120 mil seguidores.
Fotografias são publicadas por agências e veículos internacionais.
A biografia emocionante ajuda a construir uma imagem de credibilidade.
-> Agosto de 2017
Fotógrafos começam a identificar imagens copiadas de profissionais estrangeiros, muitas delas apenas espelhadas para dificultar a descoberta.
Setembro de 2017
A fraude é exposta.
As investigações revelam que:
As fotografias pertenciam a outros fotógrafos.
Grande parte da biografia era fictícia.
O rosto utilizado pelo personagem também havia sido retirado de outra pessoa.
Após a repercussão internacional, todos os perfis ligados a Eduardo Martins desapareceram da internet.
Durante anos, ninguém soube quem realmente estava por trás do personagem.
O documentário da Record
Quase uma década depois, a Record decidiu revisitar o caso.
Segundo a investigação exibida pela emissora, a equipe conseguiu chegar até a pessoa que estaria por trás da identidade de Eduardo Martins.
De acordo com o documentário, essa pessoa seria Bruna Grieco de Pieri.
A produção também afirma que Eduardo Martins não teria sido o único personagem criado.
Segundo a investigação, outros perfis como Alex e Caik também fariam parte da mesma rede de identidades falsas.
O impacto nas vítimas
O documentário mostra relatos de mulheres que acreditaram estar vivendo relacionamentos reais durante meses — em alguns casos, durante anos.
As vítimas acreditavam conversar com homens reais. Chamadas de vídeo sempre eram evitadas. Encontros presenciais nunca aconteciam. Quando alguém tentava terminar o relacionamento, outros perfis falsos apareciam tentando convencer a vítima a continuar.
A reportagem ainda reúne relatos de mulheres que afirmam ter desenvolvido depressão, crises de ansiedade e sentimento de traição após descobrirem a fraude.
Como a Record chegou ao nome de Bruna
Segundo o documentário, um dos principais indícios surgiu após a análise de dados públicos.
A investigação afirma que números utilizados pelos perfis estariam vinculados ao nome da mãe de Bruna Grieco de Pieri.
O documentário também mostra entrevistas nas quais Bruna nega participação no caso.
Ao mesmo tempo, apresenta o depoimento de uma das vítimas, que afirma ter conseguido encontrá-la pessoalmente e relata uma suposta confissão envolvendo o uso de modificadores de voz e personagens fictícios.

Essas alegações fazem parte da investigação apresentada pela Record.
Nossos repórteres investigaram a presença de Bruna na comunidade PlayStation
Após assistir ao documentário, nossa equipe decidiu investigar outro aspecto pouco comentado: a atuação pública de Bruna dentro da comunidade gamer.
Antes mesmo da repercussão nacional do caso, Bruna já era conhecida na bolha PlayStation.
Ela participou de podcasts, apresentou notícias sobre videogames, realizou transmissões ao vivo e produziu conteúdo voltado quase exclusivamente ao universo PlayStation.
Outro ponto que chamava atenção era sua dedicação às chamadas platinas, conquista obtida ao desbloquear todos os troféus de um jogo — uma atividade que pode exigir centenas de horas de dedicação.
A cronologia da PSN
Durante a apuração, nossos repórteres analisaram o perfil público da PlayStation Network associado a Bruna.
O perfil permanece ativo e apresenta:

105 Platinas;
457 troféus de Ouro;
1060 de Prata;
3.544 de Bronze.
Entretanto, um detalhe chamou nossa atenção.

Esse dado, isoladamente, não comprova nem descarta qualquer ligação com os acontecimentos investigados pela Record. Ele apenas ajuda a construir uma cronologia da presença pública de Bruna dentro da comunidade PlayStation.

Os perfis desapareceram
Durante a produção desta reportagem, nossos repórteres também tentaram localizar os antigos perfis públicos utilizados por Bruna nas redes sociais.
Até o fechamento desta matéria, esses perfis não foram encontrados.
A ausência das contas fez com que boa parte das discussões passasse a acontecer por meio de relatos de antigos colegas, criadores de conteúdo e internautas.
A comunidade gamer reage
Assim que o documentário foi ao ar, o assunto rapidamente chegou à bolha da chamada console war.
Diversos criadores de conteúdo começaram a comentar o caso.
Drake Sincero
Um dos primeiros foi Drake Sincero, que já realizou transmissões ao lado de Bruna no passado.
Em uma publicação, escreveu:

Danilo dos memes tem que pagar mais e não estou preparado comentou na postagem do Drake, que respondeu:
Drake também ironizou a situação escrevendo:

Vale destacar que Drake é uma figura conhecida, mas também controversa dentro da comunidade gamer. No passado tentou derrubar o canal dos amigos por ser o maior Sonysta de todos os tempos, defendendo concord e o CEO Jim Ryan.
Suas declarações representam sua opinião pessoal e fazem parte da repercussão do caso.
NandaJoJo
Quem também comentou o documentário foi NandaJoJo, criadora de conteúdo ligada à comunidade Xbox.
Em uma publicação, ela escreveu:

JV & Jogos
Outro nome que repercutiu o assunto foi JV & Jogos.
Em uma publicação escreveu:


Entre as respostas, um internauta comentou:


Considerações finais
Independentemente das conclusões apresentadas pela Record, o documentário conseguiu trazer novamente à tona um dos casos mais curiosos da internet brasileira.
Além de revisitar a fraude envolvendo Eduardo Martins, a produção acabou revelando um aspecto inesperado: a ligação da investigação com uma pessoa conhecida por parte da comunidade gamer.
O caso continua repercutindo nas redes sociais, gerando debates, memes e questionamentos. Ao mesmo tempo, é importante separar os fatos históricos, as conclusões apresentadas pela investigação da Record e as opiniões dos criadores de conteúdo e internautas, para que cada leitor possa formar sua própria análise sobre um episódio que, quase dez anos depois, voltou a chamar a atenção do público.
Referências
The Guardian – https://www.theguardian.com/world/2017/sep/05/war-photographer-eduardo-martins-survived-leukaemia-exposed-fakeThe Washington Post – https://www.washingtonpost.com/news/morning-mix/wp/2017/09/07/he-claimed-to-be-a-heroic-war-photographer-but-his-photos-and-identity-were-stolen/
Revista ZUM (Instituto Moreira Salles) – https://revistazum.com.br/noticias/edu-martins-fake-fotografo/
Terra (repercutindo a investigação da BBC Brasil) – https://www.terra.com.br/noticias/mundo/como-ruiu-a-historia-do-falso-fotografo-da-onu-que-enganou-jornalistas-mulheres-e-120-mil-seguidores-no-instagram
Documentário da Record (2026), utilizado como base para as alegações e conclusões atribuídas à emissora.
