EXPOSTO: O plano da Sony para controlar 100% das vendas digitais já começou há anos
Muito antes de anunciar o fim dos jogos físicos para 2028, a Sony já havia eliminado a concorrência na venda de jogos digitais. Agora, noticias apontam que a empresa está concluindo um plano iniciado em 2019 para concentrar ainda mais poder na PlayStation Store.
Durante o anúncio oficial, a Sony afirmou que os futuros lançamentos seriam disponibilizados digitalmente através da PlayStation Store e de varejistas parceiros.
Mas existe um detalhe pouco lembrado nessa história.
O dia em que a Sony eliminou a concorrência digital
Em março de 2019, a Sony comunicou aos varejistas que deixaria de fornecer códigos digitais de jogos completos para revenda.
Até aquele momento, lojas como GameStop, Amazon, Best Buy e diversas outras podiam vender versões digitais dos jogos PlayStation.
Isso significava que os consumidores ainda podiam comparar preços entre diferentes vendedores mesmo comprando uma cópia digital.
Tudo mudou em 1º de abril de 2019.
A partir daquela data, jogos digitais passaram a ser vendidos exclusivamente pela PlayStation Store.
Cartões de saldo continuaram existindo, mas os códigos digitais de jogos completos desapareceram do varejo.
O dinheiro explica muita coisa
O argumento econômico por trás da decisão é simples.
Quando um jogo físico é vendido, existe uma longa cadeia de distribuição:
Fabricação do disco; Embalagem; Transporte; Distribuição; Margem do varejo.
Estimativas do setor apontam que a produção completa de uma mídia Blu-ray costuma representar apenas alguns dólares por unidade.
Já o varejo normalmente retém uma parcela significativa do valor final do produto. Num jogo de US$ 70, uma parte relevante da receita fica com distribuidores e lojistas. No digital, a situação muda completamente.
Quando a venda ocorre diretamente na PlayStation Store, a Sony captura praticamente toda a receita da distribuição digital.
Além disso, em jogos de terceiros, a empresa ainda recebe sua tradicional taxa de plataforma, amplamente estimada em cerca de 30%.
O processo bilionário por monopólio
As críticas à estratégia não demoraram para chegar aos tribunais.
No Reino Unido, a Sony enfrenta uma ação coletiva bilionária que acusa a empresa de monopolizar a distribuição digital dentro do ecossistema PlayStation.
Segundo os autores da ação, consumidores ficam impedidos de comprar conteúdo digital em lojas concorrentes.
A acusação sustenta que a empresa consegue determinar preços sem enfrentar concorrência efetiva dentro da própria plataforma.
A Sony nega irregularidades e argumenta que a centralização ajuda a garantir segurança, privacidade e sustentabilidade do ecossistema PlayStation.
O problema dos preços regionais
Recentemente, a Sony anunciou a implementação de preços regionais em alguns países da América Latina, incluindo México, Honduras e Nicarágua.
A medida parecia uma vitória para os consumidores.
Porém, os números geraram críticas imediatas.
No México, por exemplo, a taxa utilizada pela empresa chamou atenção por ficar acima da cotação praticada no mercado em determinados períodos.
Críticos argumentam que a regionalização deveria adaptar os preços ao poder de compra local e não simplesmente converter valores utilizando margens mais elevadas.
Para parte da comunidade, a mudança acabou produzindo o efeito contrário ao esperado, elevando o preço final pago pelos consumidores.
O caso que chamou atenção no Brasil
Os impactos da falta de concorrência também aparecem em casos específicos.
Um dos exemplos mais comentados recentemente foi Romeo is a Dead Man.
Enquanto o jogo apareceu por aproximadamente R$ 135 no Xbox e no PC através da Steam, sua versão para PlayStation 5 chegou à PS Store por cerca de R$ 284,90.
A diferença gerou forte repercussão nas redes sociais.
Embora fatores como acordos comerciais, políticas de precificação e decisões das editoras também influenciem os valores finais, o caso reacendeu o debate sobre a ausência de concorrência dentro do ambiente digital do PlayStation.
O fim da mídia física é apenas a etapa final?
Para muitos analistas e consumidores, a decisão de encerrar a produção de novos jogos físicos em 2028 não representa o início da transformação digital da Sony.
Representa o fim dela.
Primeiro vieram os incentivos ao digital.
Depois a retirada dos códigos digitais vendidos por terceiros.
Agora chega o encerramento dos discos.
FONTES:https://jovemnerd.com.br/noticias/games/sony-nao-vai-vender-codigos-jogos-digitais https://canaltech.com.br/games/sony-enfrenta-processo-bilionario-por-suposto-monopolio-na-playstation-store/