Hacker que vaza GTA VI diz agir em protesto contra a Rockstar e em defesa da mídia física
Grupo afirma que seus ataques contra publishers seguem três “mandamentos” e exige mudanças concretas na indústria
"Não venderás pré-vendas digitais"
A onda de vazamentos de GTA VI ganhou uma nova camada de polêmica.
O responsável por divulgar parte do material afirma que os vazamentos fazem parte de um protesto contra a Rockstar e contra práticas da indústria de jogos, especialmente relacionadas às pré-vendas digitais e ao abandono da mídia física.
Segundo o manifesto divulgado pelo grupo CYBERLEEK, publishers seriam alvo quando violassem um dos chamados "três mandamentos" estabelecidos pelo grupo.
O primeiro mandamento é contra pré-vendas digitais
Entre as regras apresentadas pelo grupo está uma crítica direta às pré-vendas de jogos digitais.
O manifesto defende que consumidores não deveriam poder comprar versões digitais de um jogo antes de seu lançamento e de análises independentes.
As pré-vendas físicas, por outro lado, continuariam permitidas.
A justificativa apresentada é que as pré-vendas originalmente faziam mais sentido quando os jogos dependiam de fabricação e distribuição física.
No caso de uma cópia digital, não existe estoque físico limitado ou risco de o produto "acabar".
O grupo também critica o fato de que publishers utilizam pré-vendas digitais para gerar receita antecipadamente, enquanto oferecem aos consumidores benefícios como bônus cosméticos ou simplesmente uma contagem regressiva para o lançamento.
A solução defendida pelo manifesto é bastante direta:
"Se as publishers querem receita antes do lançamento, elas podem prensar discos."
Rockstar está tentando derrubar o material
Enquanto o manifesto circula, a Rockstar Games estaria trabalhando para remover as imagens e vídeos publicados pelo leaker por meio de reivindicações de direitos autorais.
O material que começou a circular inclui supostas imagens do mapa de GTA VI, além de pelo menos dois vídeos atribuídos a uma versão de desenvolvimento do jogo.
Um deles mostra Jason arremessando uma bola de basquete em uma cesta no quintal de sua casa.
O outro mostra o protagonista [NEGRITO>dirigindo e agredindo um NPC[/NEGRITO] durante uma situação de gameplay.
Material de desenvolvimento pode ser antigo
Um detalhe importante é que os vídeos aparentemente apresentam uma versão ainda em desenvolvimento de GTA VI.
Isso significa que elementos visuais, animações, interface, física e até mesmo funcionalidades apresentadas no material podem sofrer alterações antes do lançamento.
Portanto, não dá para utilizar esses vídeos como uma representação definitiva da versão final do jogo.
E considerando que a Rockstar ainda tem meses de desenvolvimento pela frente, seria bastante precipitado julgar o jogo inteiro por um vídeo gravado durante uma build interna.
Protesto ou dor de cabeça para a Rockstar?
A situação cria uma discussão curiosa.
De um lado, o grupo afirma estar tentando pressionar a indústria por [NEGRITO>mudanças nas práticas de distribuição e defesa da mídia física[/NEGRITO].
Do outro, a estratégia escolhida envolve justamente invadir ou obter acesso não autorizado a materiais internos e divulgar conteúdo que a desenvolvedora não pretendia mostrar.
Ou seja, a discussão sobre pré-vendas digitais e preservação de jogos pode ser legítima.
Mas isso não significa automaticamente que vazar material confidencial de uma desenvolvedora seja uma forma legítima de protesto.
No meio disso tudo está GTA VI, que já tinha uma das maiores expectativas da história dos videogames.
Agora, aparentemente, além de preparar o próximo trailer, a Rockstar também precisa jogar o clássico:
"Streets of Rage: Copyright Strike Edition."