Lobão tenta acusar Lord de hipocrisia por desbloqueio do PS5 e treta acaba desenterrando polêmica sobre pirataria e Game Pass
Discussão começou com o desbloqueio do PlayStation 5, passou por compras de jogos originais, códigos de Game Pass e uma antiga parceria comercial, até terminar com os dois trocando provocações.
A evolução do desbloqueio do PlayStation 5 continua provocando discussões nas redes sociais, mas desta vez a treta foi entre dois nomes bastante conhecidos da comunidade brasileira de videogames. Lobão MGX resolveu atacar Lord após publicações sobre os benefícios de um PS5 desbloqueado, acusando o criador de conteúdo de hipocrisia por supostamente criticar práticas semelhantes no passado. O que começou como uma discussão sobre pirataria rapidamente virou uma troca de acusações envolvendo Game Pass, códigos digitais, desbloqueio de consoles e até uma antiga parceria chamada Spartan Access.
O mais curioso é que os dois passaram a discutir não apenas o que defendem atualmente, mas aquilo que diziam um sobre o outro há aproximadamente seis anos. Lord afirmou que continua comprando jogos originais de PS5 e que utiliza o desbloqueio para acessar jogos antigos, enquanto Lobão insistiu que existiria uma contradição entre as críticas feitas anteriormente e o posicionamento atual.
Lobão acusa Lord de hipocrisia por defender o desbloqueio do PS5
Tudo começou quando Lobão publicou uma mensagem dizendo que Lord estaria defendendo justamente aquilo que teria criticado durante anos. Em tom de deboche, afirmou que o criador de conteúdo agora considerava aceitável desbloquear consoles, apesar das críticas que teria feito anteriormente a outras pessoas.
Lobão abriu sua publicação com a provocação “Pirataria só vale pra ele!” e continuou acusando Lord de querer estar certo mesmo após suas antigas declarações. O argumento central era que Lord teria mudado de posicionamento sobre desbloqueios, algo que Lobão tentou apresentar como uma contradição.
O problema dessa acusação é que desbloqueio e pirataria não são automaticamente sinônimos. Modificar um console para executar software independente, emuladores ou ferramentas comunitárias não significa necessariamente obter jogos comerciais sem autorização. Essas atividades podem coexistir em um aparelho desbloqueado, mas não são a mesma coisa. E foi justamente essa diferença que Lord utilizou em sua resposta.
Lord responde e diz que continua comprando jogos originais
Lord rebateu a acusação afirmando que continua comprando jogos originais de PS5 e que utiliza o desbloqueio para acessar títulos antigos que, segundo ele, adquiriu há aproximadamente 20 anos e que atualmente não encontra mais nas lojas oficiais. Em seguida, partiu para o contra-ataque, acusando Lobão de divulgar práticas questionáveis relacionadas a lojas de códigos digitais enquanto utilizaria o argumento da acessibilidade do Game Pass.
A resposta mudou completamente o rumo da discussão. Lobão queria falar sobre a suposta contradição de Lord, mas acabou recebendo uma provocação diretamente relacionada ao próprio histórico de divulgação de serviços e produtos para Xbox.
É importante destacar que a afirmação de Lord sobre continuar comprando jogos originais é a posição apresentada por ele na conversa. Da mesma maneira, a acusação envolvendo lojas digitais é uma alegação feita durante a discussão, não uma irregularidade comprovada apenas pelos prints.
Lobão responde mostrando que seu Game Pass está pago até 2030
A discussão ficou ainda mais curiosa quando Lobão tentou defender seu histórico com o Game Pass. Ele afirmou que sua assinatura estaria estendida até 2030 através de códigos brasileiros de 25 dígitos adquiridos na loja que, segundo ele, Lord criticava. Depois disso, trouxe à tona uma antiga parceria de Lord com um serviço chamado Spartan Access.
Aqui existe outro detalhe importante: comprar códigos de assinatura do Game Pass não representa automaticamente pirataria. A Microsoft possui um sistema oficial de resgate de códigos, e a existência de um código de 25 caracteres, por si só, não revela se ele foi obtido de maneira regular ou irregular. Para avaliar qualquer loja específica seria necessário verificar sua procedência e seu funcionamento.
Mas Lobão não estava interessado apenas nessa discussão técnica. Seu objetivo era mostrar que Lord, segundo sua interpretação, teria criticado determinadas práticas enquanto participava de uma parceria comercial semelhante no passado.
Spartan Access entra na conversa e a treta volta para 2020
Quando Lobão mencionou o Spartan Access, Lord respondeu reconhecendo que havia existido uma parceria comercial antiga e contextualizou as críticas recebidas naquela época. Segundo ele, a discussão remonta a 2020 e aquela parceria não faz mais parte de suas atividades há aproximadamente seis anos.
Lobão insistiu que sua crítica antiga estava relacionada ao fato de Lord questionar pirataria e determinados serviços ligados ao Xbox enquanto mantinha aquela parceria. Também afirmou que trabalha com eletrônica, já desbloqueou muitos consoles e nunca escondeu ter recebido dinheiro por esse tipo de serviço.
A discussão, portanto, passou a envolver dois assuntos diferentes: a legalidade e as possibilidades técnicas do desbloqueio de consoles e a coerência dos posicionamentos comerciais e editoriais dos envolvidos ao longo dos anos.
Lord acusa Lobão de distorcer o contexto das críticas antigas
Lord então decidiu recuperar acusações que atribuiu a Lobão durante as discussões do passado. Segundo sua resposta, Lobão teria afirmado que ele enganava, mentia e trapaceava pessoas em referência ao Spartan Access, além de ter se vangloriado de nunca comercializar contas piratas e sustentado que proprietários de Xbox não deveriam recorrer à pirataria.
O argumento de Lord era que a controvérsia original não se resumia simplesmente a ser favorável ou contrário ao desbloqueio. Segundo ele, existiam acusações pessoais específicas e críticas sobre práticas comerciais, o que tornaria inadequado utilizar apenas uma parte daquele histórico para acusá-lo de contradição atualmente.
Lobão, por sua vez, reafirmou que seu questionamento estava relacionado ao comportamento que atribuía a Lord naquela época. Também mencionou sua experiência profissional com desbloqueios, deixando claro que não considera a atividade algo que precise esconder.
Desbloqueio de console e pirataria continuam sendo assuntos diferentes
Existe uma questão que precisa ser esclarecida independentemente de quem esteja certo na discussão. Um console desbloqueado pode ser utilizado para executar emuladores, homebrew, ferramentas independentes e jogos que o usuário possui. Também pode ser utilizado para executar cópias comerciais sem autorização, mas isso depende do uso realizado.
O próprio PS5SX2, por exemplo, é um projeto comunitário que leva o PCSX2 ao PlayStation 5 desbloqueado e exige que o usuário forneça seus próprios jogos e BIOS. Isso demonstra que há aplicações legítimas de pesquisa, preservação e emulação na comunidade de desbloqueio.
Por outro lado, possuir um jogo antigo ou não encontrá-lo mais à venda não torna automaticamente legal baixar qualquer cópia disponível na internet. Direitos autorais, métodos de obtenção e regras aplicáveis continuam sendo questões relevantes. Portanto, nem todo desbloqueio é pirataria, mas também não é correto afirmar que qualquer utilização de jogo antigo está automaticamente autorizada.
A discussão termina com provocações dos dois lados
Depois de várias respostas, a conversa passou a adotar um tom menos confrontador em relação às antigas acusações. Lord reconheceu que os dois já haviam conversado sobre comentários anteriores e que algumas questões tinham sido resolvidas entre eles. Acrescentou que suas provocações atuais eram feitas em tom de brincadeira, embora tenha encerrado a mensagem afirmando que aquele não havia sido um bom dia para Lobão.
Lobão não deixou a provocação sem resposta e rebateu dizendo, em essência, que o dia também não havia sido favorável a Lord. A troca terminou com cada um tentando ficar com a última palavra, sem que os prints apresentados estabeleçam uma conclusão objetiva para todas as acusações levantadas.
Minha opinião
Para mim, o mais engraçado dessa discussão foi ver uma tentativa de expor uma suposta contradição atual acabar trazendo de volta uma discussão comercial de seis anos atrás. Lobão queria questionar a coerência de Lord em relação ao desbloqueio do PS5, mas Lord respondeu com seu próprio histórico de compras e colocou na mesa as críticas que fazia às práticas divulgadas por Lobão.
A cobrança por coerência é legítima. Se alguém critica determinado comportamento e depois passa a praticá-lo, pode e deve ser questionado. Só que é preciso demonstrar que estamos falando realmente do mesmo comportamento. Desbloquear um console, executar um emulador, utilizar jogos antigos, vender códigos de assinatura e distribuir cópias comerciais não são atividades automaticamente equivalentes.
Também considero importante reconhecer que pessoas podem mudar de opinião com o passar dos anos. Uma posição defendida em 2020 não precisa ser eternamente a mesma em 2026. O que importa é explicar a mudança e responder pelas críticas anteriores quando elas forem relevantes.
No fim, a treta entre Lobão e Lord mostra como as discussões sobre Xbox e PlayStation conseguem transformar praticamente qualquer assunto em uma disputa pessoal. O desbloqueio do PS5 deveria abrir espaço para conversar sobre preservação, liberdade de uso do hardware e acesso às bibliotecas antigas. Em vez disso, a conversa terminou discutindo Game Pass pago até 2030, Spartan Access e quem teria vencido uma troca de provocações.