Pai do PlayStation defende fim dos jogos físicos e diz que insistir nos discos não faz sentido econômico

Ken Kutaragi reconhece a revolta dos jogadores com o fim das mídias físicas em 2028, mas considera que a indústria precisa mudar sua visão sobre a propriedade dos jogos.

Pai do PlayStation defende fim dos jogos físicos e diz que insistir nos discos não faz sentido econômico
PLAYSTATION
Escrita por Felipe 16/10/2026, 15:35

O homem conhecido como o pai do PlayStation acaba de fazer declarações que certamente não vão agradar aos colecionadores. Ken Kutaragi, responsável pela criação dos primeiros consoles da Sony, afirmou que compreende a indignação dos jogadores com a decisão de encerrar a produção de jogos em disco, mas acredita que continuar investindo recursos em mídias físicas já não é economicamente razoável.

As declarações foram feitas em uma entrevista ao Video Games Chronicle (VGC), publicada nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, durante o evento Game Republic New Horizons, no Reino Unido. Kutaragi argumentou que os consumidores precisam mudar a maneira como enxergam a propriedade digital, comparando o consumo de videogames ao funcionamento de smartphones conectados à internet.

💬 Para o criador do PlayStation, os discos se tornaram um símbolo da sensação de possuir um jogo, mas manter sua produção já não seria economicamente justificável. O problema é que, para muitos consumidores, possuir uma mídia física representa muito mais do que uma simples questão de mentalidade.

Ken Kutaragi considera a resistência aos jogos digitais uma questão de mentalidade

Durante a entrevista, Kutaragi afirmou que entende por que tantos jogadores associam a mídia física à propriedade de seus jogos. Entretanto, utilizou os smartphones como exemplo de como as pessoas se acostumaram a consumir conteúdos digitais sem exigir cópias físicas. Para ele, essa transformação deveria acontecer também nos videogames.

O executivo afirmou que entende a frustração dos jogadores, mas considera que insistir na fabricação de discos não faz mais sentido econômico. Sua avaliação acompanha uma visão que defende desde a época do PlayStation 2 e PlayStation 3, quando já previa que a distribuição pela internet acabaria substituindo os formatos tradicionais.

Kutaragi também comentou que a atual liderança da Sony Interactive Entertainment possui profissionais com experiência em empresas de streaming e serviços online, incluindo a Gaikai. Segundo ele, esses executivos podem enxergar o PlayStation não apenas como um videogame, mas como um dispositivo conectado para distribuição de conteúdo. Essa mudança de filosofia, entretanto, acabou criando conflitos com parte dos entusiastas.

É importante esclarecer que Kutaragi deixou a Sony em 2007 e suas declarações representam uma opinião pessoal, não um novo anúncio oficial da companhia.

PlayStation encerrará a produção de novos jogos físicos em 2028

A discussão ganhou força depois que a Sony anunciou oficialmente, em julho de 2026, que deixará de produzir discos físicos para novos lançamentos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. Após essa data, os novos jogos serão comercializados exclusivamente em formato digital, tanto pela PlayStation Store quanto por revendedores autorizados.

A empresa justificou a mudança afirmando que a preferência dos consumidores por jogos digitais já supera significativamente a procura por discos. Entretanto, os jogos físicos lançados antes de janeiro de 2028 não serão automaticamente inutilizados. A decisão também não significa que os atuais consoles perderão imediatamente a capacidade de executar os discos existentes.

O anúncio provocou críticas entre jogadores preocupados com preservação, colecionismo, liberdade de compra e dependência das lojas digitais.

Mídia física não é apenas uma questão de mentalidade

Embora os argumentos econômicos de Kutaragi possam fazer sentido do ponto de vista empresarial, a comparação com smartphones deixa de lado diferenças importantes. Um jogo físico pode ser emprestado, revendido, comprado usado e preservado independentemente da continuidade de sua comercialização digital, desde que o disco contenha os dados necessários para seu funcionamento.

Já os jogos digitais normalmente são adquiridos através de licenças vinculadas a contas e plataformas específicas. Isso não significa que todas essas compras serão perdidas algum dia, mas existem limitações relacionadas à transferência, revenda e disponibilidade dos serviços.

Além disso, o desaparecimento dos discos reduz alternativas de compra e pode concentrar ainda mais o controle comercial nas plataformas digitais. Para o consumidor, a questão não envolve apenas nostalgia, mas também concorrência, acesso e preservação.

Minha opinião

Para mim, o mais preocupante nessa declaração é tratar a preocupação dos jogadores como uma simples mudança de mentalidade. Eu entendo perfeitamente que vender jogos digitais seja mais conveniente e lucrativo para as empresas. O que não significa que seja necessariamente melhor para o consumidor.

A mídia física oferece possibilidades que as lojas digitais dos consoles ainda não conseguem substituir completamente, principalmente revenda, empréstimo e liberdade para procurar preços em diferentes estabelecimentos.

O problema não é existir jogo digital. O problema é o consumidor deixar de ter a opção de comprar físico.

E essa é a grande ironia da história: o homem que ajudou a transformar o PlayStation em uma das maiores marcas de videogames do mundo agora considera economicamente injustificável continuar produzindo justamente o formato que acompanhou o sucesso de suas primeiras gerações.

FONTES CONSULTADAS