Recomps da semana estão insanas: Forza Horizon 1 e 2, Midnight Club 3, God of War, Uncharted e muito mais!

Comunidade acelera ports nativos e recompilações de clássicos do Xbox 360, PlayStation, Nintendo e PC. Alguns projetos já permitem jogar campanhas completas, enquanto outros estão avançando com melhorias gráficas, multiplayer e suporte a novas plataformas.

Recomps da semana estão insanas: Forza Horizon 1 e 2, Midnight Club 3, God of War, Uncharted e muito mais!
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Escrita por Felipe 15/10/2026, 10:00

A cena de recompilação de videogames está atravessando um dos períodos mais impressionantes de sua história. Entre os dias 8 e 15 de outubro de 2026, desenvolvedores independentes apresentaram atualizações, lançaram versões públicas e demonstraram avanços em diversos jogos que durante anos permaneceram presos aos seus consoles originais. Forza Horizon, Forza Motorsport, Midnight Club, God of War, Uncharted, Metroid Prime, Zelda e Lost Odyssey são apenas alguns dos nomes que ganharam atenção nesta semana.

O mais interessante é que não estamos falando exclusivamente de emuladores tradicionais. Muitos desses projetos utilizam recompilação estática, convertendo antecipadamente o código original dos jogos para formatos que podem ser compilados e executados em computadores modernos. Outros aproveitam executáveis já baseados em x86-64 e constroem camadas de compatibilidade para substituir serviços dos consoles. Existem ainda projetos que reconstroem o código-fonte por engenharia reversa. São abordagens diferentes, mas todas compartilham o objetivo de preservar e modernizar jogos antigos.

💬 A grande novidade desta semana não é apenas um jogo específico chegando ao PC. É a quantidade de projetos avançando simultaneamente, incluindo Forza Horizon 1 com multiplayer restaurado, Midnight Club 3 com uma nova solução nativa, God of War III completamente jogável e até a trilogia original de Uncharted recebendo seu primeiro port público.

Forza Horizon 1 recebe melhorias enormes e volta a funcionar nativamente no PC

Um dos maiores destaques é o primeiro Forza Horizon, lançado originalmente em 2012 para Xbox 360 e que nunca recebeu uma versão oficial para computadores. O projeto Pinyon Shift conseguiu transformar o código PowerPC do jogo em uma aplicação nativa, utilizando recompilação estática e uma nova estrutura de renderização baseada em Vulkan e Direct3D 12. A versão 0.5.1 chegou em 12 de outubro, depois de uma atualização importante que expandiu o suporte para Linux, Steam Deck e computadores Mac com Apple Silicon.

As versões recentes permitem jogar com taxas de até 120 FPS em condições adequadas, utilizar resoluções internas maiores, aplicar filtros de imagem, personalizar controles e trabalhar com mods. O projeto também recebeu suporte à importação de DLCs pertencentes ao usuário, HDR, músicas personalizadas e melhorias de desempenho. Existe até uma implementação experimental para Android, embora ainda exija trabalho adicional e apresente limitações. É uma evolução gigantesca para um jogo que oficialmente permaneceu preso ao Xbox 360.

Outro projeto de Forza Horizon 1 está restaurando até o multiplayer

Além do Pinyon Shift, existe outro trabalho impressionante chamado Forza Horizon 1: ReImagined. Desenvolvido por Dyotson, ele também utiliza recompilação estática com ReXGlue, mas pretende ir além da simples execução do jogo no PC. O objetivo é recuperar e expandir funcionalidades online que deixaram de existir quando os serviços originais do Xbox 360 foram descontinuados.

Segundo a documentação do projeto, a campanha principal já foi percorrida do início ao fim pelos responsáveis, e o sistema inclui recursos como exploração compartilhada do Colorado, corridas online, rankings, Rivals, clubes de carros e servidores que podem ser hospedados pela própria comunidade. O jogo também possui configurações para 60, 120 e 144 FPS, embora o desempenho real varie conforme o computador e a quantidade de veículos na tela. Trata-se de outro projeto ainda em desenvolvimento, mas a ambição é impressionante: transformar o primeiro Forza Horizon em uma experiência moderna com multiplayer comunitário restaurado.

Forza Horizon 2 também ganhou uma recompilação, mas ainda não está jogável

O segundo Forza Horizon também entrou nessa onda. O projeto Forza Horizon 2 Recompiled, mantido por fabioap-cpu, utiliza ReXGlue para tentar adaptar a versão de Xbox 360 ao Windows. Entretanto, aqui precisamos fazer uma ressalva importante: o jogo ainda não está funcionando em gameplay.

Segundo a documentação oficial, a ferramenta consegue gerar um executável e iniciar parte do processo de carregamento, mas o programa permanece preso na tela de loading devido a um problema de sincronização envolvendo uma chamada do sistema original. Os desenvolvedores já corrigiram alguns crashes encontrados durante a inicialização, mas ainda precisam resolver esse bloqueio antes que o jogo avance para menus e corridas. Portanto, existe um projeto real de recompilação de Forza Horizon 2, mas não seria correto dizer que a campanha já está jogável nativamente no PC.

💬 Forza Horizon 1 já está bastante avançado e possui experiências jogáveis no PC. Forza Horizon 2 ainda está em estágio técnico inicial, preso na tela de carregamento. São projetos reais, mas com níveis de desenvolvimento completamente diferentes.

Forza Motorsport 2 ganha port nativo com 4K e até 120 FPS

Outro clássico do Xbox 360 que recebeu uma grande novidade foi Forza Motorsport 2, lançado em 2007. O desenvolvedor 0herculabs apresentou sua recompilação para Windows em 13 de outubro, utilizando novamente a conversão antecipada do código PowerPC para C++ e uma implementação gráfica com Direct3D 12. O projeto já consegue executar menus, vídeos de introdução, corridas de exibição e o modo Free Run.

A documentação mais recente apresenta a versão 0.3.0 com opções de renderização interna até 4K, modos de 60 e 120 Hz, suporte a controles, teclado configurável, perfis de usuário e filtros como FSR e CAS. Porém, a campanha, os conteúdos adicionais e o multiplayer local ainda precisam de testes mais amplos. A própria comunidade já relatou diferenças de desempenho entre computadores, então não podemos transformar 120 FPS em garantia universal.

Forza Motorsport 3 começou a receber tratamento semelhante

A notícia fica ainda mais interessante porque o mesmo desenvolvedor começou a trabalhar em Forza Motorsport 3: Ultimate Collection. Em 14 de outubro, apenas um dia depois da divulgação do primeiro projeto, 0herculabs publicou uma demonstração técnica da recompilação do terceiro jogo. A ferramenta segue uma proposta semelhante, tentando converter o executável de Xbox 360 para funcionar em um runtime compatível com computadores modernos.

Por enquanto, Forza Motorsport 3 não possui uma versão pública jogável equivalente à de Motorsport 2. O vídeo divulgado representa um estágio inicial de desenvolvimento. Mesmo assim, o fato de a mesma tecnologia começar a ser aplicada em diferentes jogos da franquia demonstra que a experiência adquirida em um projeto pode acelerar trabalhos posteriores.

Midnight Club 3: DUB Edition Remix finalmente recebe uma solução para PC

Esse certamente é um dos jogos que mais chamaram atenção da comunidade nesta semana. Midnight Club 3: DUB Edition Remix, clássico da Rockstar que nunca ganhou um lançamento oficial para Windows, começou a aparecer funcionando através de uma recompilação comunitária baseada na versão do Xbox original. O projeto de Teraflopping utiliza a tecnologia Xrecomp e também está associado ao desenvolvimento de um launcher chamado xrevive, destinado a gerenciar jogos recompilados do primeiro Xbox.

Os relatos publicados entre 9 e 13 de outubro mostram usuários executando corridas no PC, com suporte a controles e opções adicionais de personalização. Um jogador relatou funcionamento em 1080p com limite de 40 FPS em um mini-PC equipado com Ryzen 9 6900HX e Radeon 680M, mas isso representa um teste individual, não um requisito oficial. O responsável também demonstrou recursos experimentais de multiplayer, incluindo a possibilidade de modificar veículos durante sessões compartilhadas. Ainda existem crashes e recursos em desenvolvimento, mas Midnight Club 3 já deixou de ser apenas uma ideia e começou a receber testes reais de gameplay no PC.

Vale esclarecer que existem diferentes projetos comunitários relacionados a Midnight Club 3. Um trabalho anterior chamado MC3 Recomputed Remix, apresentado por outro desenvolvedor em 2025, enfrentou problemas de continuidade. A movimentação atual envolvendo Xrecomp e xrevive não deve ser confundida automaticamente com aquele projeto.

Midnight Club: Los Angeles também avançou e até roda no PS5 desbloqueado

E Midnight Club 3 não foi o único destaque da franquia. Midnight Club: Los Angeles Complete Edition também possui uma recompilação estática da versão de Xbox 360, desenvolvida pelo projeto mcla-recomp. A versão 1.0.2 apareceu em 12 de outubro, e a documentação confirma que a solução alcança menus, corridas, garagem, áudio e controles no Windows. O projeto também possui uma implementação específica para PlayStation 5 desbloqueado.

Nos testes divulgados pelos responsáveis, a versão para PS5 Pro alcançou aproximadamente 30 FPS em diversas situações de gameplay, enquanto o mapa ampliado ainda apresenta quedas. A equipe também corrigiu recentemente um problema visual que deixava a pintura dos carros excessivamente branca durante cenas noturnas. Ainda estamos falando de uma solução comunitária em desenvolvimento, mas é curioso perceber que um jogo originalmente lançado para Xbox 360 está sendo recompilado para funcionar diretamente no PS5.

God of War III Remastered já pode ser terminado no PC

Saindo dos jogos de corrida, um dos projetos mais impressionantes continua sendo God of War III Remastered. O port desenvolvido por Felipe Prado aproveita o executável original da versão de PlayStation 4, executando seu código x86-64 diretamente na CPU do computador. Um runtime específico substitui funções do sistema da Sony, enquanto a parte gráfica utiliza uma implementação baseada em Vulkan.

A versão 2.1.2 foi publicada em 12 de outubro, dando continuidade às melhorias do projeto. O mais importante é que, segundo o desenvolvedor, God of War III Remastered está jogável do início ao fim. Em uma configuração com Ryzen 5 5600X e Radeon RX 6700 XT, foram divulgadas médias de 144 FPS em 1080p e 108 FPS em 4K utilizando FSR 1. O desempenho não será igual em todos os computadores e ainda existem correções em andamento, mas estamos falando de um resultado muito acima de uma simples demonstração técnica.

Uncharted 1, 2 e 3 finalmente começam a chegar ao Windows

Outro grande destaque é Uncharted: The Nathan Drake Collection, coletânea que reúne os três primeiros jogos da franquia. A comunidade passou anos esperando uma versão oficial para PC, principalmente depois de a Sony lançar Uncharted 4 e The Lost Legacy no Windows. Agora, SuperMedo disponibilizou um projeto não oficial que tenta executar os três remasters diretamente em computadores, aproveitando o código original da coletânea de PS4 e uma camada de compatibilidade própria.

A versão pública 0.3 trouxe suporte aos três jogos através de um único launcher, com configurações de 60 e 120 FPS, DLSS, FSR, geração de quadros, teclado, mouse e controles. Uncharted: Drake's Fortune já apareceu em testes independentes a 1440p e 120 FPS, mas a trilogia ainda não foi completamente validada do início ao fim. Existem relatos de travamentos e problemas de inicialização, principalmente nos outros capítulos. É uma das novidades mais promissoras da semana, mas também uma daquelas que exigem cautela antes de chamar o projeto de port completo.

P.T. ganha um port nativo e volta a existir fora do PS4

Um dos acontecimentos mais importantes para a preservação de jogos foi o lançamento de um port comunitário de P.T., a famosa demonstração de terror criada por Hideo Kojima e posteriormente retirada da PlayStation Store após o cancelamento de Silent Hills. Desenvolvido por Lorean Xavier, o projeto permite executar a experiência no Windows e Linux e também passou a documentar suporte ao macOS.

Diferentemente de uma recompilação estática tradicional, o desenvolvedor reconstruiu a lógica do jogo em C++ através de engenharia reversa e utiliza Vulkan para renderizar os cenários. Os arquivos originais continuam sendo necessários, e o projeto não distribui o conteúdo comercial da Konami. Segundo a documentação, a experiência já pode ser percorrida até o final, incluindo a sequência de voz. É um caso especialmente importante porque P.T. se tornou um exemplo histórico de como jogos distribuídos digitalmente podem desaparecer quando a empresa encerra sua disponibilidade oficial.

Lost Odyssey recebe atualizações e avança em várias plataformas

Lost Odyssey, RPG clássico do Xbox 360 criado por Hironobu Sakaguchi e lançado originalmente em 2007, também teve uma semana movimentada. O projeto Lost Odyssey Recomp continua recebendo atualizações para Windows, Linux, macOS e até Android. A versão 0.9.0, publicada em 8 de outubro, introduziu novas opções de proporção de imagem, enquanto atualizações posteriores ampliaram ajustes gráficos, melhorias no sistema de menus, opções de sombras e diferentes recursos de compatibilidade.

A documentação também mostra suporte à importação dos quatro discos originais e à troca automática durante a progressão. O projeto possui recursos como HDR, diferentes opções de antisserrilhamento e tecnologias de reconstrução de imagem, mas continua classificado como experimental. Os próprios responsáveis registram limitações nos testes de campanha completa, saves, discos e diferentes hardwares. Ainda assim, é impressionante ver um RPG que nunca recebeu um port oficial moderno começar a funcionar em tantas plataformas diferentes através da comunidade.

Metroid Prime recebe port nativo baseado em seu código reconstruído

A franquia Metroid também está presente nessa onda. O projeto Metroid Prime Port, desenvolvido por Odrannnn, utiliza o trabalho de decompilação PrimeDecomp para construir uma versão nativa do clássico original de GameCube. A renderização acontece através de uma implementação moderna baseada em SDL3 e WebGPU, sem depender de um emulador convencional de GameCube. A versão 0.26.0 apareceu em 13 de outubro, e o projeto possui implementações para Windows, Linux e Android.

Esse exemplo também mostra por que é importante não chamar todos os projetos de recompilação estática. Metroid Prime Port é mais precisamente um port baseado em código reconstruído por decompilação, abordagem diferente daquela utilizada pelo ReXGlue nos jogos de Xbox 360. O objetivo, entretanto, é semelhante: permitir que o jogo utilize uma estrutura moderna de execução e apresentação gráfica.

Zelda: The Wind Waker HD também ganhou recompilação para Nintendo Switch

Outro projeto bastante curioso é SwitchWakerHD, que utiliza recompilação estática para converter a versão de Wii U de The Legend of Zelda: The Wind Waker HD em uma aplicação destinada ao Nintendo Switch desbloqueado. A versão 0.4.6 foi publicada em 12 de outubro, com continuidade no desenvolvimento da solução baseada em deko3d.

A iniciativa aproveita o código PowerPC do Wii U e cria uma forma de executá-lo em outra arquitetura através de código recompilado. É importante esclarecer que esse projeto específico tem como destino o Nintendo Switch, não o Windows. Portanto, apesar de aparecer em discussões sobre ports nativos e recompilações, não deve ser anunciado como um novo lançamento de Wind Waker HD para PC.

Need for Speed: Most Wanted e Underground 2 continuam evoluindo

A comunidade de jogos de corrida também teve novidades envolvendo Need for Speed. O projeto NFSMW Recompiled recebeu uma versão em 8 de outubro, utilizando recompilação estática da edição de Xbox 360 de Need for Speed: Most Wanted, de 2005. A solução utiliza ReXGlue e busca adaptar o código original para execução nativa em computadores com Windows.

Já Need for Speed: Underground 2 Recompiled recebeu atualização em 13 de outubro. Nesse caso, o projeto parte da versão original de Windows e utiliza outra abordagem: recompila o código x86 para uma implementação moderna com runtime gráfico em Vulkan. A existência dos dois projetos mostra que a recompilação não serve apenas para transportar jogos entre plataformas diferentes. Também pode ser utilizada para preservar e modernizar títulos que já possuíam versões de PC, mas dependiam de tecnologias antigas.

Dante's Inferno continua avançando com Hell's Gate

Dante's Inferno, lançado em 2010 para PlayStation 3 e Xbox 360, também ganhou uma atualização recente através do projeto Hell's Gate. A versão 0.8.3-beta-hotfix2 apareceu em 12 de outubro, mantendo o trabalho de recompilação estática da edição de Xbox 360 através do ReXGlue. O objetivo é criar uma solução nativa para computadores modernos, com foco em Windows e Linux.

Diferentemente dos projetos já validados do início ao fim, Hell's Gate ainda está identificado como trabalho em desenvolvimento. Isso significa que atualizações e versões beta não devem ser confundidas com a garantia de uma campanha completamente estável. Mesmo assim, o projeto é importante por representar mais um jogo conhecido da geração PS3 e Xbox 360 sendo estudado fora dos métodos convencionais de emulação.

Skate 2, outro clássico do Xbox 360, também recebe recompilação

Skate 2 é outro exemplo interessante. O desenvolvedor christianortel publicou a versão 0.1.1 do projeto Skate 2 PC em 12 de outubro, utilizando ReXGlue para tentar executar nativamente no Windows a versão original de Xbox 360. A proposta inclui suporte a controles e ajustes de qualidade de renderização, sempre dependendo dos arquivos do jogo fornecidos pelo próprio usuário.

Por ser um projeto recente, ainda não existe base suficiente para garantir que toda a campanha, todas as atividades e todas as situações de gameplay estejam funcionando perfeitamente. Mas o surgimento desse port reforça como os títulos de Xbox 360 estão se tornando um dos principais focos da atual onda de recompilações.

A grande diferença entre recompilação, emulação e port nativo

Toda essa movimentação também exige uma explicação importante. Quando falamos de recompilação estática, estamos falando de converter antecipadamente as instruções originalmente utilizadas pelo processador do console para um código que possa ser compilado e executado em outra arquitetura. É o caso de vários projetos de Xbox 360 que transformam código PowerPC em C++ para computadores modernos.

Um port com camada de compatibilidade segue outro caminho. Jogos de PS4 e PS5 já utilizam processadores x86-64, bastante próximos daqueles encontrados nos computadores. Isso permite aproveitar diretamente instruções originais, mas ainda exige substituir bibliotecas do sistema, serviços internos e a parte gráfica que dependia do console. God of War III e Uncharted estão entre os exemplos dessa abordagem.

Já projetos como Metroid Prime Port e P.T. utilizam reconstrução de código e engenharia reversa para recriar uma aplicação moderna. Esses métodos possuem vantagens, limitações e níveis diferentes de compatibilidade. Portanto, rodar nativamente não significa automaticamente estar completamente livre de emulação de serviços, tradução gráfica ou problemas de compatibilidade.

Por que tantos jogos estão ganhando ports agora?

Um dos fatores mais importantes é o amadurecimento das ferramentas disponíveis. Projetos como ReXGlue, XenonRecomp, PS2Recomp e diferentes ferramentas de engenharia reversa estão permitindo que desenvolvedores reutilizem pesquisas que anteriormente precisariam ser realizadas do zero. No caso de Xbox 360, por exemplo, muito do conhecimento sobre funcionamento do hardware foi acumulado durante anos pelo projeto Xenia. Agora parte dessa experiência está sendo aproveitada para produzir executáveis nativos.

Ferramentas de inteligência artificial também aparecem em diferentes etapas de desenvolvimento, auxiliando pesquisadores com análise de código, documentação, automação e testes. Mas isso não significa que a IA simplesmente transforma qualquer jogo em um port perfeito. Cada título continua dependendo de trabalho técnico específico, especialmente na reconstrução de serviços do sistema, renderização gráfica, física, áudio e compatibilidade.

💬 O que está acelerando essa nova fase não é uma ferramenta mágica que converte qualquer jogo automaticamente. É a combinação de anos de engenharia reversa, novas ferramentas de recompilação, runtimes reaproveitáveis, pesquisa comunitária e automação cada vez mais avançada.

Nem todo projeto já pode substituir o console original

Uma das maiores armadilhas nessa nova onda é olhar uma demonstração funcionando e concluir que o jogo já recebeu uma versão completa. Forza Horizon 2 ainda não passou da tela de carregamento. Forza Motorsport 3 está em demonstração técnica. Uncharted possui uma versão pública promissora, mas ainda precisa validar seus três jogos. Outros projetos podem funcionar muito bem durante algumas horas e apresentar crashes em áreas posteriores.

Por outro lado, já temos trabalhos realmente avançados. God of War III Remastered foi testado do início ao fim, Forza Horizon 1 possui versões com grande parte de suas funcionalidades operacionais e P.T. ganhou uma reconstrução capaz de concluir a experiência. O importante é observar o nível de maturidade de cada projeto, em vez de colocar todos no mesmo patamar.

Também vale lembrar que essas ferramentas normalmente não distribuem os jogos comerciais. Grande parte dos desenvolvedores exige que o usuário forneça arquivos de uma cópia própria e compatível. Os projetos não são lançamentos oficiais das respectivas fabricantes e podem mudar rapidamente de comportamento entre versões.

Minha opinião

Para mim, essa está sendo uma das semanas mais interessantes que já acompanhei na cena de preservação e ports comunitários. Em questão de dias vimos Forza Horizon recebendo novas plataformas, Forza Motorsport 2 ganhando um executável nativo, Midnight Club 3 aparecendo em gameplay no Windows, Uncharted começando a chegar ao PC e God of War III continuando sua evolução.

O que mais impressiona não é simplesmente olhar para uma taxa de 120 FPS. É perceber que jogos que passaram mais de uma década presos em determinados consoles estão começando a ganhar uma segunda vida através da comunidade. Alguns agora podem receber mods, opções de resolução, suporte a diferentes controles e até servidores online independentes.

Também considero fundamental não exagerar. Não adianta anunciar Forza Horizon 2 como jogável quando o próprio repositório informa que ele ainda trava no carregamento. Não adianta dizer que os três Uncharted já podem ser terminados perfeitamente quando ainda existem erros de inicialização. A tecnologia é impressionante justamente por seus resultados reais, sem necessidade de inventar capacidades.

Se essa evolução continuar, a preservação de jogos poderá depender cada vez menos da disposição comercial das fabricantes em relançar seus próprios catálogos. Isso não elimina a importância da emulação tradicional nem substitui automaticamente os consoles originais, mas cria novos caminhos para manter videogames funcionando por muito mais tempo.

💬 Forza Horizon 1, Forza Horizon 2, Forza Motorsport 2 e 3, Midnight Club 3, Midnight Club: Los Angeles, God of War III, Uncharted, P.T., Lost Odyssey, Metroid Prime, Zelda, Need for Speed, Dante's Inferno e Skate 2 mostram o tamanho dessa nova onda. Alguns já estão jogáveis, outros ainda são experimentais, mas a quantidade de clássicos recebendo atenção ao mesmo tempo é impressionante.

FONTES CONSULTADAS