"Sony destruiu a própria defesa": especialista acredita que fim das mídias físicas fortalece processos contra a PlayStation

Analista afirma que a decisão de encerrar os discos pode enfraquecer a principal linha de defesa da Sony em casos antitruste envolvendo a PlayStation Store e a taxa de 30% sobre vendas digitais

"Sony destruiu a própria defesa": especialista acredita que fim das mídias físicas fortalece processos contra a PlayStation
PLAYSTATION
Escrita por Luts 13/07/2026, 17:43

A decisão da Sony de encerrar a produção de discos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028 pode ter consequências muito maiores do que apenas a reação negativa dos consumidores. Segundo especialistas, a medida também pode enfraquecer significativamente a posição da empresa em diversos processos judiciais relacionados à PlayStation Store.

Atualmente, a Sony enfrenta ações coletivas e investigações em países como Reino Unido, Espanha, Estados Unidos e Holanda. Em todos esses casos, a empresa é acusada de utilizar sua posição dominante para impor preços mais altos aos consumidores através da PlayStation Store, onde cobra uma comissão de aproximadamente 30% sobre as vendas digitais.

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Recentemente, a fundação holandesa Stichting Massaschade & Consument anunciou uma ação judicial contra a Sony Interactive Entertainment pedindo cerca de US$ 457 milhões em compensações para mais de 1,7 milhão de jogadores holandeses. O argumento central é que, sem a alternativa física, consumidores ficarão obrigados a comprar diretamente pela loja digital da empresa.

Segundo Andrew Ching, professor da Johns Hopkins Carey Business School, a Sony pode ter criado um problema para si mesma ao abandonar completamente as mídias físicas.

"A Sony essencialmente destruiu sua própria defesa", afirmou o especialista em entrevista à Fortune.

Até hoje, a principal argumentação da companhia era que a PlayStation Store não constituía um monopólio porque competia diretamente com varejistas físicos e com o mercado de jogos usados. A existência de discos permitia que consumidores encontrassem preços menores em lojas, aproveitassem promoções independentes ou revendesse seus jogos após terminarem a campanha.

Sem essa alternativa, a situação muda completamente.

O valor oculto da mídia física

Ching destaca que existe uma lógica econômica por trás da preferência de muitos jogadores pelo formato físico.

Segundo ele, um consumidor que compra um jogo por US$ 60 sabendo que poderá revendê-lo posteriormente por cerca de US$ 20 está, na prática, pagando apenas US$ 40 pela experiência.

Quando essa possibilidade desaparece, o valor percebido pelo consumidor também cai.

[quote]"Há matemática por trás da nostalgia. Um comprador que sabe que pode trocar um jogo de US$ 60 por aproximadamente US$ 20 está efetivamente pagando US$ 40. Assim que a Sony remover essa opção, sua disposição para pagar vai diminuir."[/quote]

Além disso, críticos da decisão apontam que a PlayStation Store opera com preços mais rígidos do que o varejo tradicional. Enquanto lojas físicas frequentemente reduzem preços de forma permanente ao longo dos anos, muitos títulos digitais permanecem próximos ao valor de lançamento, dependendo apenas de promoções temporárias.

Pressão aumenta após anúncio dos discos

O anúncio do fim das mídias físicas já provocou uma onda de protestos nas redes sociais, petições internacionais, campanhas como #WeAreThe20 e manifestações de varejistas preocupados com o futuro do setor.

Agora, além da reação dos consumidores, a Sony pode enfrentar um novo desafio: convencer tribunais de que a PlayStation Store não exerce controle excessivo sobre a distribuição de jogos em seu ecossistema após eliminar a principal alternativa de compra disponível atualmente.

Se os processos avançarem, o fim dos discos poderá se tornar não apenas uma das decisões mais polêmicas da história da PlayStation, mas também uma peça central em futuras batalhas judiciais contra a empresa.

[fonte]Fortune / Stichting Massaschade & Consument / Eurogamer Portugal[/fonte]