Sony pagará US$ 7,85 milhões em acordo sobre venda de jogos digitais do PlayStation

A Sony Interactive Entertainment chegou a um acordo de US$ 7,85 milhões em uma ação coletiva que acusa a empresa de restringir a concorrência na venda de jogos digitais para PlayStation. O acordo, porém, ainda precisa de aprovação final da Justiça.

Sony pagará US$ 7,85 milhões em acordo sobre venda de jogos digitais do PlayStation
PLAYSTATION
Escrita por Luts 31/08/2026, 14:27

Entenda o processo contra a Sony

O processo, chamado Caccuri et al. v. Sony Interactive Entertainment LLC, questiona uma mudança feita pela Sony em abril de 2019.

Até então, lojas como Amazon, Best Buy, GameStop, Target e Walmart podiam vender códigos específicos para determinados jogos digitais de PlayStation.

Segundo a ação, a Sony encerrou a venda desses códigos por varejistas terceirizados nos Estados Unidos e passou a concentrar a venda de jogos digitais diretamente na PlayStation Store.

Os autores alegam que essa mudança reduziu a concorrência e permitiu que determinados jogos digitais fossem vendidos por preços superiores aos que poderiam existir em um mercado mais competitivo.

💬 A Sony nega as alegações e o tribunal ainda não decidiu que a empresa violou qualquer lei. O valor de US$ 7,85 milhões faz parte de um acordo para encerrar o processo, não de uma condenação judicial.

Mais de 4,4 milhões de contas podem estar incluídas

De acordo com a documentação aprovada preliminarmente pelo tribunal, existem aproximadamente 4.407.533 contas PSN elegíveis dentro da classe do acordo.

Para fazer parte do grupo, o jogador precisa ter comprado, pela PlayStation Store, entre 1º de abril de 2019 e 31 de dezembro de 2023, determinados jogos digitais que anteriormente estavam disponíveis por meio de códigos específicos vendidos no varejo.

Além disso, existem critérios relacionados ao histórico de preço e à disponibilidade desses vouchers. Portanto, não é qualquer jogo comprado digitalmente durante esse período que automaticamente dá direito à compensação.

Quem tem direito precisa solicitar o pagamento?

Para quem possui uma conta PSN ativa e se enquadra na classe, a situação é relativamente simples.

Não será necessário preencher um formulário de reivindicação para receber o benefício. A Sony consegue identificar os membros elegíveis por meio das próprias contas PSN e, caso o acordo seja aprovado, o crédito será depositado diretamente na carteira da conta.

💬 Contas PSN ativas elegíveis receberão automaticamente o benefício previsto no acordo, sem necessidade de enviar uma reivindicação.

Já quem possui uma conta PSN desativada precisa entrar em contato com o administrador do acordo e fornecer informações que comprovem a elegibilidade para receber o valor correspondente.

Quanto cada jogador vai receber?

Esse é um ponto importante: o valor individual não foi fixado publicamente como uma quantia igual para todos.

Os US$ 7,85 milhões representam o valor total do acordo. Antes da distribuição, ainda podem ser descontados honorários advocatícios, custos, despesas administrativas e outras quantias autorizadas pelo tribunal.

O restante será distribuído entre os membros elegíveis de acordo com o plano de alocação do acordo.

Portanto, não é correto afirmar que todos os milhões de usuários receberão necessariamente a mesma quantia.

Acordo ainda não foi aprovado definitivamente

Apesar de o acordo já ter recebido aprovação preliminar, ele ainda não é definitivo.

A Justiça Federal do Distrito Norte da Califórnia marcou a audiência final de aprovação para 15 de outubro de 2026, às 14h, diante da juíza Araceli Martínez-Olguín.

Durante essa audiência, o tribunal deverá analisar se o acordo é justo, razoável e adequado para os integrantes da ação coletiva, além de avaliar questões relacionadas à distribuição do dinheiro e aos honorários dos advogados.

O que muda para os jogadores?

Na prática, o processo chama atenção para uma mudança importante que aconteceu no ecossistema PlayStation.

Desde 2019, jogadores nos Estados Unidos deixaram de ter a mesma possibilidade de comprar códigos específicos de jogos digitais em grandes varejistas. Esses estabelecimentos continuaram podendo vender cartões e créditos para a PSN, mas não os vouchers específicos dos jogos abrangidos pela ação.

Isso tornou a PlayStation Store o principal canal para a compra direta de jogos digitais.

O processo argumenta que essa mudança prejudicou a concorrência. A Sony, por sua vez, nega que tenha cometido qualquer violação.

Contexto da situação

O caso acontece em um momento em que a discussão sobre propriedade digital, lojas digitais e controle das plataformas está cada vez mais forte entre os jogadores.

A situação também é particularmente interessante porque não se trata simplesmente de uma discussão sobre preços de um jogo específico. A ação questiona o próprio modelo utilizado pela Sony para distribuir jogos digitais no PlayStation.

O acordo de US$ 7,85 milhões não significa que a Justiça tenha concluído que a Sony praticou conduta anticompetitiva. O próprio aviso oficial do acordo deixa claro que o tribunal não decidiu se a empresa violou as leis.

Minha opinião

Na minha opinião, o mais interessante nessa história é que ela mostra como a mudança do mercado físico para o digital também muda quem controla a venda dos jogos.

Quando existiam códigos de jogos digitais vendidos por diferentes lojas, o consumidor tinha mais opções para procurar preços e promoções. Quando essa possibilidade desaparece, a plataforma passa a ter muito mais controle sobre a comercialização.

Por outro lado, também é importante não transformar o acordo em uma condenação: a Sony não foi considerada culpada nesse processo. A empresa decidiu resolver a ação por meio de um acordo, enquanto continua negando as acusações.

Agora, o próximo passo será a audiência de 15 de outubro de 2026. Se o acordo for aprovado, os jogadores elegíveis poderão receber o crédito diretamente em suas contas PSN.

O acordo ainda não é definitivo, mas milhões de contas PlayStation nos Estados Unidos podem ser beneficiadas caso a Justiça dê a aprovação final.

FONTES CONSULTADAS