Sony revela detalhes do PSSR 2.0 e mostra como a tecnologia ficou mais eficiente

Engenheiro da Sony apresentou na SIGGRAPH 2026 uma visão detalhada da nova versão do upscaling do PS5 Pro, que abandona parte da abordagem neural original em favor de um sistema híbrido

Sony revela detalhes do PSSR 2.0 e mostra como a tecnologia ficou mais eficiente
PLAYSTATION
Escrita por Luts 18/08/2026, 15:04

PSSR 2.0 mudou completamente a estratégia

O PSSR 2.0, tecnologia de reconstrução de imagem utilizada no PS5 Pro, acaba de ter seus segredos expostos pela própria Sony.

Durante uma apresentação na SIGGRAPH 2026, o engenheiro de software principal da Sony, Daniel Craig, explicou em detalhes como a nova versão funciona internamente e revelou uma mudança importante na filosofia por trás da tecnologia.

Em vez de colocar a inteligência artificial para fazer praticamente todo o trabalho, a Sony e a AMD decidiram seguir um caminho diferente: fazer a rede neural trabalhar menos e deixar a matemática tradicional da GPU assumir parte do serviço.

De rede neural para sistema híbrido

Na primeira versão do PSSR, uma rede neural convolucional era responsável por prever as cores e reconstruir a imagem final.

O problema é que a rede acabava tendo dificuldades justamente em tarefas nas quais uma GPU tradicional é extremamente eficiente, principalmente combinação de cores HDR.

Também havia problemas de estabilidade temporal, especialmente em elementos como vegetação e iluminação de baixa frequência, incluindo iluminação global baseada em ray tracing.

💬 O PSSR 2.0 troca uma abordagem predominantemente neural por um sistema híbrido, combinando inteligência artificial com operações matemáticas convencionais da GPU.

A IA agora faz menos trabalho

A grande mudança está na arquitetura.

O PSSR original utilizava uma rede focada na previsão de cores. Já o PSSR 2.0 utiliza uma Kernel-Predicting Network (KPN).

Na prática, a rede neural passa a se concentrar principalmente em identificar bordas e diferenciar detalhes de ruído.

Depois disso, operações convencionais da GPU cuidam da combinação HDR e da reconstrução final da imagem.

É uma mudança bastante interessante: em vez de pedir para a IA aprender absolutamente tudo, a Sony decidiu basicamente dizer:

"Você identifica o que importa. A parte matemática deixa com a GPU."

PSSR 2.0 também ficou mais leve

A nova arquitetura trouxe outra vantagem importante.

A maior parte do processamento neural agora pode ser executada em resoluções de 540p ou inferiores, reduzindo a quantidade de trabalho necessário para a rede.

A Sony também reformulou o sistema de escalonamento. Enquanto o PSSR original definia seu kernel 3x3 na resolução de saída, a nova versão trabalha na escala de entrada utilizando filtragem elíptica.

Segundo a apresentação, essas mudanças ajudam a evitar a aparência mais suave que podia surgir em escalas maiores.

💬 O treinamento do novo modelo caiu de aproximadamente quatro meses de GPU para menos de uma semana de GPU.

Treinar o PSSR ficou absurdamente mais rápido

A nova arquitetura também representa uma diferença gigantesca no desenvolvimento.

Segundo a Sony, o treinamento do PSSR 2.0 foi reduzido de quatro GPU-meses para menos de uma GPU-semana.

Grande parte dessa redução veio de mudanças no processo de quantização.

Além disso, a Sony afirma que tanto o [NEGRITO>tempo de processamento por quadro quanto o consumo de memória melhoraram[/NEGRITO] em relação à primeira versão, embora a apresentação não tenha divulgado números específicos para essas métricas.

E não, aparentemente não tem Transformer aqui

A apresentação também esclarece uma questão que vinha circulando em rumores.

Apesar das especulações anteriores sobre a utilização de uma arquitetura Transformer, não há indicação de que esse componente faça parte dessa atualização específica do PSSR.

A apresentação também utilizou exclusivamente conteúdo de testes internos da Sony, portanto ainda será necessário observar como o PSSR 2.0 se comportará em uma variedade maior de jogos.

No fim das contas, a Sony parece ter chegado a uma conclusão interessante: para melhorar a inteligência artificial, talvez seja melhor não pedir para ela fazer tudo.

E o PS5 Pro aparentemente vai agradecer por isso.