Sucessor espiritual de Bully estreia mal no Steam e desenvolvedores são acusados de usar IA

Agefield High: Rock the School tenta recuperar a fórmula escolar do clássico da Rockstar, mas lançamento é marcado por problemas técnicos e avaliações negativas

Sucessor espiritual de Bully estreia mal no Steam e desenvolvedores são acusados de usar IA
PC
Escrita por Felipe 13/08/2026, 15:23

Quase 20 anos após Bully, da Rockstar Games, um novo jogo tenta ocupar o espaço deixado pelo clássico ao apostar novamente em uma experiência de mundo aberto ambientada em uma escola. Agefield High: Rock the School acaba de chegar ao Steam, mas sua estreia está longe de ser aquela que seus desenvolvedores provavelmente esperavam.

O título da Refugium Games chamou atenção justamente pela inspiração evidente em Bully, oferecendo uma escola para explorar, estudantes e professores para conhecer e diferentes atividades dentro e fora das salas de aula.

O problema é que a recepção inicial dos jogadores está bastante negativa.

💬 Agefield High: Rock the School acumula apenas cerca de 38% de avaliações positivas no Steam, com jogadores relatando crashes, animações rígidas, NPCs pouco convincentes e um sistema de combate considerado lento.

A promessa de um novo Bully chamou atenção

Desde sua apresentação, Agefield High despertou curiosidade justamente por entrar em um território que permanece praticamente abandonado pelas grandes produtoras.

Bully foi lançado originalmente em 2006 e, apesar dos pedidos dos fãs por uma continuação, a Rockstar nunca lançou Bully 2.

Agefield High surgiu tentando recuperar parte dessa fórmula: uma experiência de mundo aberto centrada na vida escolar, permitindo explorar o ambiente, conhecer personagens e participar de diferentes atividades.

Naturalmente, as comparações foram inevitáveis e o jogo acabou sendo tratado por parte do público como uma espécie de sucessor espiritual de Bully.

A estreia, entretanto, mostrou que reproduzir essa fórmula pode ser muito mais complicado do que simplesmente recuperar seu conceito.

Crashes e NPCs sem vida estão entre as reclamações

As avaliações iniciais apontam diversos problemas.

Jogadores relatam travamentos frequentes e crashes, além de criticarem a qualidade das animações apresentadas pelos personagens.

Outro ponto bastante mencionado é justamente a população do mundo.

Em um jogo que pretende vender a fantasia de frequentar uma escola e conviver com outros estudantes, professores e habitantes, NPCs convincentes são especialmente importantes. Porém, parte dos jogadores descreve os personagens de Agefield High como sem vida e pouco naturais.

O sistema de combate também não escapou.

💬 Entre as principais críticas estão a lentidão dos confrontos e a rigidez das animações, problemas particularmente perceptíveis em um jogo inevitavelmente comparado com Bully.

O resultado dessas reclamações aparece diretamente na avaliação do Steam, com apenas aproximadamente 38% das análises sendo positivas neste início.

Jogadores acusam desenvolvedores de utilizarem IA

Os problemas técnicos não são a única polêmica envolvendo o lançamento.

Parte da comunidade começou a acusar Agefield High de utilizar inteligência artificial generativa de maneira extensa durante seu desenvolvimento.

As suspeitas passaram a aparecer entre discussões e avaliações de jogadores, que questionaram diferentes elementos encontrados no produto final.

A acusação ganhou força suficiente para fazer a própria desenvolvedora responder publicamente.

A Refugium Games nega que Agefield High tenha sido produzido utilizando IA generativa e afirma que o jogo foi desenvolvido de maneira “artesanal”.

Segundo o estúdio, o projeto foi construído durante aproximadamente dois anos e meio por uma equipe pequena.

Portanto, é importante separar as duas coisas: existem acusações feitas por jogadores, mas a desenvolvedora nega que tenha utilizado IA da maneira alegada pela comunidade.

“A tinta da escola ainda está fresca”

A Refugium Games também reconheceu que o lançamento ainda possui problemas.

Em resposta à situação, os desenvolvedores utilizaram uma comparação bastante apropriada ao tema escolar, afirmando que “a tinta do instituto ainda está fresca”.

A mensagem sugere que o estúdio pretende continuar trabalhando no jogo depois da estreia, corrigindo problemas e melhorando diferentes aspectos apontados pela comunidade.

Para uma equipe pequena, recuperar a avaliação no Steam pode ser especialmente importante.

Avaliações negativas durante os primeiros dias podem afetar diretamente a percepção de novos compradores, principalmente quando um jogo depende bastante do boca a boca para ganhar visibilidade.

O peso de ser comparado com Bully

Agefield High também enfrenta um problema difícil de evitar: Bully continua sendo sua principal referência.

O clássico da Rockstar conquistou fãs não apenas por colocar o jogador dentro de uma escola, mas pela quantidade de personalidade presente em seus personagens, atividades, humor e mundo.

Quando outro projeto utiliza uma proposta tão semelhante, a comparação acontece automaticamente.

💬 Agefield High encontrou uma ideia que muitos jogadores pedem há quase duas décadas: um novo mundo aberto escolar inspirado em Bully. O desafio agora será provar que consegue entregar uma experiência à altura dessa proposta.

Com apenas 38% de avaliações positivas neste começo, o lançamento certamente não aconteceu da maneira que a Refugium Games gostaria.

Ainda existe espaço para recuperação através de atualizações, principalmente considerando que o estúdio já sinalizou que continuará trabalhando no projeto.

Por enquanto, entretanto, o primeiro grande candidato recente a “sucessor espiritual de Bully” começou sua vida no Steam aprendendo uma dura lição: existe bastante público esperando por algo parecido com o clássico da Rockstar, mas as expectativas também são enormes.