Veterano da id Software detona demissões da Xbox: “O moral nunca esteve tão baixo”

Chris Hays, programador-chefe e veterano da id Software, fez duras críticas às recentes demissões promovidas pela Xbox. Segundo o desenvolvedor, o processo foi "desumano", deixou a equipe profundamente desmoralizada e expõe um problema maior da indústria: executivos que entendem números e marketing, mas estariam desconectados da realidade necessária para desenvolver bons jogos.

Veterano da id Software detona demissões da Xbox: “O moral nunca esteve tão baixo”
XBOX
Escrita por Felipe 10/08/2026, 11:02

As consequências da recente onda de demissões dentro da Xbox continuam repercutindo entre os próprios desenvolvedores.

Desta vez, quem decidiu falar publicamente foi Chris Hays, veterano da id Software e listado como programador-chefe do estúdio responsável por DOOM.

Durante uma participação no canal Auf ein Bier, Hays comentou abertamente sobre o impacto dos cortes e não poupou críticas à maneira como as decisões foram conduzidas.

“Foi desumano”

Segundo Hays, os funcionários da id Software já conviviam com o receio de que demissões pudessem acontecer.

Quando os cortes finalmente chegaram, porém, o impacto sobre a equipe teria sido enorme.

O desenvolvedor resumiu a situação de maneira bastante direta:

“Foi tão desumano. Foi desmoralizante, e o moral nunca esteve tão baixo.”

A id Software teria perdido pelo menos 136 funcionários durante a reestruturação, com relatos indicando que muitos dos profissionais afetados trabalhavam na equipe responsável pela tecnologia id Tech.

💬 Segundo Chris Hays, mesmo funcionários que permaneceram no estúdio foram profundamente afetados pelas demissões, levando o moral interno ao ponto mais baixo que ele já presenciou.

id Software havia minimizado impacto dos cortes

Após as demissões, a id Software chegou a publicar um comunicado tentando tranquilizar jogadores sobre o futuro do estúdio.

Na ocasião, a empresa afirmou possuir o número de funcionários necessário para continuar produzindo os jogos pelos quais é conhecida.

O estúdio também comparou o tamanho atual da equipe com aquela responsável pelo desenvolvimento de DOOM, lançado em 2016.

As declarações de Hays, entretanto, apresentam outra dimensão da situação: mesmo que o estúdio ainda tenha funcionários suficientes para continuar produzindo jogos, o impacto humano e a confiança interna da equipe teriam sido profundamente abalados.

Funcionários demitidos ainda tentaram ajudar os colegas

Apesar da maneira como os cortes aconteceram, Hays elogiou a postura dos profissionais que perderam seus empregos.

Segundo ele, muitos dos funcionários afetados lidaram com a situação com dignidade e ainda tentaram fazer o possível para facilitar a continuidade dos projetos para aqueles que permaneceram.

A atitude dos desenvolvedores contrasta, na visão de Hays, com a forma como grandes decisões corporativas são tomadas nos níveis mais altos das empresas.

Executivos não entendem como bons jogos são feitos, diz desenvolvedor

Hays ampliou suas críticas para além da Microsoft e afirmou enxergar um problema estrutural nas grandes empresas da indústria de videogames.

Para o veterano, executivos podem conhecer profundamente números de vendas, projeções financeiras e estratégias de marketing, mas isso não significa que compreendam o processo necessário para produzir um grande jogo.

“Eles podem entender os números de marketing e vendas, mas estão tão desconectados da realidade do que faz um bom jogo ser um bom jogo e de como ele é produzido que não entendem o que é necessário para construir uma equipe e mantê-la.”

Hays também ressaltou que fracassos fazem parte do desenvolvimento, sugerindo que equipes precisam de estabilidade, experiência acumulada e espaço para errar e aprender.

💬 Na visão de Chris Hays, tratar equipes de desenvolvimento apenas através de números ignora justamente aquilo que permite aos grandes estúdios acumular conhecimento e produzir jogos de qualidade ao longo dos anos.

Demissões atingiram um dos estúdios mais importantes da Xbox

A situação chama ainda mais atenção porque a id Software é uma das desenvolvedoras mais tradicionais da indústria.

Responsável por franquias como DOOM e Quake, além da tecnologia id Tech, o estúdio possui décadas de experiência acumulada em desenvolvimento de jogos e tecnologia gráfica.

Por isso, a confirmação de que o ambiente interno foi profundamente afetado pelos cortes mostra que nem mesmo equipes consideradas fundamentais dentro da estrutura da Xbox passaram ilesas pela reestruturação.

Críticas vêm de alguém que continua dentro do estúdio

Outro detalhe importante é que as declarações não partiram apenas de um ex-funcionário insatisfeito após perder o emprego.

Chris Hays continua listado como Lead Software Programmer da id Software, o que torna suas declarações particularmente relevantes para entender como os cortes foram recebidos internamente.

Enquanto a Xbox tenta reorganizar sua estrutura e reduzir custos, os comentários do veterano mostram o outro lado dessas decisões: equipes que precisam continuar desenvolvendo grandes projetos depois de perder colegas, conhecimento técnico e confiança na estabilidade de seus próprios empregos.

💬 A declaração de que “o moral nunca esteve tão baixo” mostra que o impacto de uma demissão em massa não termina quando os funcionários deixam a empresa: ele também permanece entre aqueles que precisam continuar produzindo os próximos jogos.

Fonte: Insider Gaming / entrevista de Chris Hays ao Auf ein Bier.