Xbox combate jogos com conquistas duplicadas, mas denúncias de hacks levantam outra polêmica
Microsoft muda regras para impedir lançamentos repetidos que inflam o Gamerscore, enquanto jogadores questionam a fiscalização de conquistas desbloqueadas por métodos ilegítimos.
A Microsoft está adotando novas medidas para combater a proliferação de jogos com listas de conquistas duplicadas na Xbox Store. Segundo uma reportagem publicada pelo TrueAchievements nesta terça-feira (27), a empresa comunicou aos desenvolvedores que passará a restringir lançamentos praticamente idênticos que não ofereçam experiências diferentes entre Xbox One, Xbox Series X|S e PC.
A decisão atinge principalmente os chamados triple stacks, prática em que um mesmo jogo recebe três versões separadas, cada uma oferecendo sua própria lista de conquistas e permitindo que jogadores acumulem milhares de pontos de Gamerscore repetindo essencialmente o mesmo conteúdo.
Entretanto, a mudança também reacendeu outra discussão: enquanto a Microsoft busca limitar a multiplicação dessas listas, membros da comunidade denunciam a utilização de ferramentas externas para desbloquear conquistas sem cumprir seus requisitos legítimos.
Microsoft quer acabar com a exploração dos triple stacks
De acordo com o TrueAchievements, a Microsoft enviou um comunicado a desenvolvedores e distribuidoras informando que lançar versões idênticas sem experiências distintas poderá violar a seção 10.1 das políticas da Microsoft Store, relacionada à necessidade de oferecer valor próprio e representar corretamente os produtos comercializados.
A dimensão dessa prática chama atenção. Segundo o levantamento do site, o número de jogos com triple stacks saltou de 37 em 2024 para 246 em 2025, representando 738 lançamentos individuais naquele ano. Em 2026, outros 233 jogos com três versões já haviam sido contabilizados, totalizando 699 lançamentos separados. Somente em 2025, essas listas ofereceram aproximadamente 2,3 milhões de pontos de Gamerscore, considerando também atualizações e conteúdos adicionais.
A Microsoft recomenda que desenvolvedores utilizem recursos como Xbox Play Anywhere ou game binding, que permite conectar diferentes versões de um jogo e compartilhar serviços como conquistas e progresso. Isso não representa a proibição de lançar títulos para diferentes plataformas, mas uma tentativa de impedir que versões praticamente iguais sejam utilizadas apenas para multiplicar listas de conquistas.
E os jogadores que utilizam hacks para desbloquear conquistas?
Em um vídeo publicado no YouTube, o criador de conteúdo responsável pelo canal questionou as prioridades da Microsoft e apresentou exemplos de perfis com quantidades extraordinárias de conquistas desbloqueadas em períodos muito curtos. Entre os casos mencionados estão jogadores que teriam completado centenas de conquistas em um único dia e acumulado pontuações máximas em diversos Call of Duty em poucas horas.
O apresentador argumenta que essas situações merecem investigação, especialmente diante da existência de programas externos capazes de manipular conquistas. Ele também critica a possibilidade de usuários obterem pontuações sem sequer comprar ou executar legitimamente os jogos, comprometendo a credibilidade dos rankings e das estatísticas de conclusão.
Entretanto, quantidades elevadas de conquistas ou tempos de conclusão incomuns não comprovam automaticamente o uso de hacks. Seria necessário verificar os registros específicos e identificar métodos proibidos antes de concluir que determinada conta cometeu fraude.
O TrueAchievements já possui uma política própria contra trapaças, permitindo investigar denúncias e remover perfis de seus rankings quando identifica violações. Contudo, a plataforma esclarece que não possui autoridade para retirar conquistas diretamente da Xbox Live, responsabilidade exclusiva da Microsoft.
Isso também não significa que a Microsoft não realize fiscalização. A documentação oficial do Xbox exige que conquistas sejam desbloqueadas por atividades dentro dos jogos e proíbe mecanismos que concedam pontos diretamente sem participação correspondente do jogador. O que permanece sem esclarecimento público é a frequência e a eficácia das medidas contra ferramentas externas de manipulação.
O verdadeiro problema também pode estar na organização da Xbox Store
Outro argumento apresentado no vídeo envolve a maneira como os jogos aparecem na loja. O criador de conteúdo não considera necessariamente errado que uma pessoa compre diferentes versões de um título para conquistar seus respectivos pontos. Para ele, o principal problema está na poluição visual causada por inúmeras versões praticamente iguais aparecendo individualmente no catálogo.
Uma alternativa defendida durante a apresentação seria reunir essas edições em uma única página, permitindo que o consumidor escolha entre Xbox One, Xbox Series X|S e Windows sem precisar navegar por vários anúncios do mesmo jogo. Dessa forma, a Microsoft poderia melhorar a organização da loja sem necessariamente eliminar todas as listas individuais de conquistas.
O apresentador também se posiciona contra a obrigatoriedade de unificar conquistas entre PC e consoles, argumentando que separar as versões ajudaria a reduzir possíveis abusos provenientes de ferramentas externas utilizadas em computadores. Essa é uma interpretação apresentada no vídeo, e não uma conclusão técnica comprovada sobre o funcionamento do Xbox Play Anywhere.
A discussão demonstra que existem problemas diferentes dentro do mesmo ecossistema: jogos publicados repetidamente para multiplicar pontuações, excesso de produtos semelhantes na loja e possíveis fraudes no desbloqueio de conquistas.
A nova política da Microsoft enfrenta principalmente o primeiro desses problemas. Ainda não há confirmação de medidas adicionais especificamente voltadas às denúncias apresentadas no vídeo, tampouco de uma nova onda de punições relacionadas à manipulação de Gamerscore.
Assista ao vídeo completo sobre a polêmica
A apresentação mostra exemplos de jogos com triple stacks, perfis que despertaram suspeitas e críticas à administração do sistema de conquistas, além de discutir alternativas para melhorar a Xbox Store.
