Xbox pode lançar console de até US$ 1.800 em 2028 enquanto prepara mais demissões, revela Fortune
Reportagem expõe os bastidores da gestão de Asha Sharma, planos para reformular o Game Pass, conflitos internos e especulações sobre uma possível separação da Microsoft.
O futuro do Xbox está passando por uma das maiores transformações de sua história. Uma extensa reportagem publicada pela revista Fortune nesta terça-feira (20) revela detalhes dos planos de Asha Sharma, atual CEO da divisão, incluindo novas demissões, mudanças profundas no Xbox Game Pass, desenvolvimento de novos consoles e até discussões internas sobre uma eventual separação da marca em relação à Microsoft.
A executiva de 38 anos, que assumiu o comando do Xbox em fevereiro de 2026 após a saída de Phil Spencer, enfrenta o desafio de recuperar a rentabilidade de um negócio que movimenta aproximadamente US$ 21 bilhões, mas apresenta resultados financeiros considerados insatisfatórios dentro da Microsoft. Segundo a publicação, um indicador de margem da divisão Xbox está próximo de apenas 3%, muito abaixo dos níveis observados em empresas concorrentes.
Próximo Xbox pode custar até US$ 1.800 e chegar em 2028
Uma das revelações mais impressionantes envolve o Project Helix, próximo console da Microsoft. De acordo com pessoas familiarizadas com os planos internos, o aparelho tem lançamento planejado para o final de 2028, enquanto um novo dispositivo portátil estaria previsto para o período de festas de 2027.
O detalhe mais preocupante é o possível preço. Segundo a Fortune, estimativas internas colocam o Project Helix entre US$ 1.200 e US$ 1.800, caso a Microsoft não decida subsidiar parte dos custos de fabricação. É importante destacar que esses valores ainda não representam preços oficiais e podem mudar durante o desenvolvimento.
A reportagem também revela conflitos entre as equipes de Xbox e Windows sobre o sistema operacional dos futuros aparelhos. Enquanto a divisão Windows defendia uma versão simplificada de seu sistema, os responsáveis pelo Xbox desejavam maior controle sobre o software para priorizar o desempenho nos jogos. A disputa teria chegado ao ponto de um executivo ameaçar cancelar o projeto portátil caso a solução proposta pelo Windows fosse adotada. Atualmente, a equipe Xbox estaria conduzindo a maior parte das decisões relacionadas ao sistema.
Game Pass pode passar por uma reformulação completa
Outra mudança importante envolve o Xbox Game Pass. Fontes ouvidas pela Fortune afirmam que a Microsoft prepara uma reformulação do serviço, permitindo que os assinantes escolham determinados recursos separadamente, em um modelo semelhante à contratação de funcionalidades adicionais.
Entre as possibilidades discutidas estão pacotes específicos para jogos de console, acesso à nuvem e multiplayer online, mantendo uma estrutura de diferentes planos. A proposta buscaria oferecer maior flexibilidade aos consumidores e melhorar a rentabilidade do serviço, mas ainda não foi oficialmente apresentada pela Microsoft.
A reportagem também aponta problemas na estratégia anterior. Segundo ex-funcionários, o Game Pass ajudou a construir um negócio de assinaturas, mas acabou prejudicando as vendas tradicionais de alguns jogos da própria Microsoft, especialmente durante seus lançamentos. A existência de metas diferentes entre equipes responsáveis por assinaturas e vendas digitais teria contribuído para decisões comerciais conflitantes.
Xbox prepara novas demissões e concentra investimentos nas grandes franquias
A reestruturação também está afetando diretamente os funcionários. De acordo com a Fortune, 1.868 pessoas já foram demitidas dentro de um planejamento que prevê aproximadamente 3.200 cortes. Novas ondas de desligamentos estariam programadas para outubro, novembro e janeiro, embora os cronogramas ainda possam ser alterados.
A estratégia de Sharma envolve reduzir despesas, eliminar camadas administrativas e concentrar recursos em franquias consideradas comercialmente mais importantes. Isso significa que estúdios menores estão perdendo prioridade em favor de propriedades como Halo, Gears of War, Minecraft e grandes produções da Blizzard e Bethesda.
Brian Fargo, responsável pelo desenvolvimento de Clockwork Revolution, explicou à Fortune que os estúdios agora precisam apresentar justificativas comerciais claras para receber investimentos, substituindo uma abordagem anterior considerada mais flexível.
Matt Booty, diretor de conteúdo do Xbox, também reconheceu que a divisão perdeu parte de seu foco nos últimos anos, especialmente pela dificuldade de integrar adequadamente as diferentes estratégias adotadas após sucessivas aquisições.
Microsoft estaria preparando a venda do Xbox?
Talvez a questão mais delicada da reportagem esteja relacionada ao futuro da própria divisão dentro da Microsoft. Funcionários atuais e antigos ouvidos pela Fortune acreditam que algumas mudanças recentes podem estar preparando o Xbox para uma possível venda, separação empresarial ou entrada de investidores externos.
Entre os indícios mencionados estão a mudança dos endereços de e-mail corporativos para o domínio xbox.com e a substituição do nome Microsoft Gaming pela identidade Xbox. Algumas fontes também relataram conhecimento de uma apresentação interna que teria explorado diferentes possibilidades para o futuro da divisão.
Entretanto, a Microsoft nega que esteja preparando a venda do Xbox. Judson Althoff, um dos principais executivos da empresa, afirmou à Fortune que a companhia não teria colocado Asha Sharma à frente de um negócio que pretendesse vender. A própria CEO declarou acreditar que o Xbox continuará sendo uma parte importante da Microsoft por muito tempo.
A reportagem destaca ainda que o crescimento dos investimentos em inteligência artificial dentro da Microsoft alimenta questionamentos sobre o espaço ocupado pela divisão de videogames. Apesar disso, não existe confirmação de qualquer negociação envolvendo a venda da marca.
O cenário apresentado pela Fortune demonstra que o Xbox enfrenta decisões difíceis. Asha Sharma, que chegou ao cargo sem experiência profissional anterior na indústria dos videogames, tenta recuperar a competitividade da marca combinando cortes de custos, novos produtos, mudanças no modelo de negócios e maior concentração nas franquias de sucesso.
O desafio será descobrir se essa estratégia conseguirá melhorar os resultados sem comprometer os estúdios, os funcionários e a relação construída com os jogadores ao longo de 25 anos.